segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Playlist de Fevereiro

1. Lady GaGa - Born This Way



O tão aguardado single de estreia do sempre difícil segundo algum de GaGa finalmente saiu e já bateu um recorde de vendas no I-tunes em apenas 4 horas. Como seria de esperar, uma canção de GaGa sem polémica não seria uma canção de GaGa: acusações de plágio se elevarem (nada de novo…) e compararam a canção de GaGa ao êxito celebrativo de Madonna, «Express Yourself» de 1989. Verdade seja dita, a estrutura sonora da canção é muitíssimo semelhante ao hit da Rainha da Pop mas sendo GaGa a sucessora legítima de Madonna (basta pensarmos na estética «Vogue» do clipe «Alejandro» ou no visual «Blonde Ambition» de GaGa com o soutien de cones a dar azo a um soutien de… metralhadoras. Versão radicalizada e pós-pós-moderna de Madge?) é compreensível. Bem, não discutiremos isso aqui. A canção? A canção não faz jus à sombria capa do single, herança de «Monster»: é altamente festiva, celebra a diversidade étnica e sexual (GaGa prometeu que esta seria uma das suas canções mais… “gays”. Não são todas, GaGa?) o que prova também que GaGa estou bem a lição de décadas de disco gay (e o calão queer), e traz a gramática confusa da diva (?) com letras que parecem ter sidos pensadas para rimar mesmo que o sentido seja nulo. Á primeira audição é estranha… mas entranha-se. Em nada se compara à infantilidade de «Pokerface», inocência falsa de «Paparazzi» ou altivismo vingativo de «Bad Romance» mas prova que, dentro do núcleo duro electro-pop e rnb, GaGa consegue ser (tirando o plágio) original. Nos «Grammys», GaGa cria um mito através de um bem conseguido conceito (mas performance aquém das expetativas): surge como um alien num… ovo. Choca, literalmente. Em suma: GaGa cumpriu o seu serviço. Agora falta ver se podemos fazer omeletes com o clipe…

2. Black Eyed Peas - The Time (Dirty Bit)



A habituação aos grandes hits para as discotecas proporcionada pela parceria com Guetta («I gotta a feeling») parece ter viciado os BEP, agora com uma estratégia nova: o recurso a êxitos passados. Desta vez, tocou aos hits do Dirty Dancing. A música, com os contornos exagerados do electro-pop (ou euro-pop, como queiram), tornou-se irreconhecível na voz de Fergie. Como êxito plastificado e facilmente esquecível é óptimo, como grande canção deixa muito a desejar…

3. Rihanna - S&M



É sabido: sempre que Rihanna se junta a LaChapelle («Disturbia») nos clipes, é sucesso garantido. A lasciva (mas tolerada) e fresca «S&M» da cantora negra mais tocada desde Whitney e Beyonce parece jogar bem com os conceitos do S&M: açaimes na boca dos jornalistas, correntes no exercício da sua liberdade, chicotes a controlar os seus ímpetos sexuais. Ela é uma mistress a dominar Perez Hilton (fucking ironic), ela é leather rosa, ela é uma sexy coelhinha, ela é uma divertida e multicolorida hooker. Clichés atrás de clichés mas um conceito seguido à risca para a menina-mulher dos Barbados numa boa canção pop para entreter (ou else…). Em conclusão: Rihanna exorcizou muito bem a violência doméstica perpetuada (?) pelo ex, Chris Brown. Freud explica…

4. Milk & Sugar vs Vaya con Dios – Hey (Nah Neh Nah)


A herança de Papamericano pode ser vislumbrada neste incrível mash-up que fez e faz furor nas discotecas mais próximas. Nada de muito significativo a não ser o incitamento à dança…

5. Kelis – Brave



O sobrestimado «Flesh Tone» (2010) de Kelis contem uma das minhas canções favoritas de todo sempre. Diz Kelis: “I’m not ashamed of winning but it was that way in the beggining». De fato, Kelis não ganhou mas foi corajosa o suficiente com este torpedo house.

6. Jennifer Lopez – On The Floor (ft. Pitbull)



A esquecida JLO regressa aos palcos (ou às pistas) com «On The Floor»: estudou bem a lição da injunção entre o euro-pop e a musica latina, recruta a mascote latina do momento (Pitbull) dos guettos mais recônditos e pede ajuda desesperada à «Lambada» de Kaoma injetando-lhe doses industriais de house que piscam o olho a ATB, Edward Maya, Buuren ou até mesmo à «Higher» de Taio Cruz com Minogue. Ou seja, JLO tem um dos maiores trunfos da sua carreira. Bem-vinda JLO.

7. Adele – Rolling in deep


No início, Adele era uma ingénua menina mas se até Duffy muda, Adele não pode ficar atrás na corrente musical inaugurada (ou repescada) por Winehouse. Em «Rolling in deep», a voz adensa-se, o jazzie vira uma ode apocalíptica e a gente aplaude no final com tamanha ousadia.

8. Deolinda – Parva é que eu não sou



Os “Deolinda” acertaram na moche no concerto no Coliseu. Alguém filmou e puft, temos o hit de uma geração de estudantes qualificados/as que não encontra emprego à sua medida. Embora nem todos concordem com esta visão simbólica (acusando mesmo a canção de aproveitamento político), «Parva que sou» é uma das maiores canções portuguesas desta década como semblante de uma geração e toca na ferida da revolta juvenil contra a precariedade. Isto é, habemos Maio de 69.

9. Daft punk – Derezzed



Recrutados para o filme «TRON» da Disney, a dupla francesa mais famosa desde Sarkosy e Bruni enveredou pelo melhor das camadas electrónicas sobre o manto diáfano da trip 2.0., inspiradas certamente em «Movie Star» de Roisin Murphy. Aqui não há nada de «One More Time» mas o que não quer dizer que o desejo de festejar fique incólume.

10. Katy Perry – E.T. (ft. Kanye West)



Embalada pelas referências extraterrestres de GaGa, Perry cria uma boa canção onde mistura metáforas de cariz sexual com imagéticas queer (o E.T. será um homem apaixonado por outro?) e segue a linha pró-tolerância de «Firework», correndo o risco de criar uma faixa conceptualmente inteligente. Recruta West mas tal é desnecessário pois a canção é boa assim e Esperaremos pelo clipe e cruzemos os dedos para que Perry leve a sua nave a bom porto…

11. Beth ditto – I Wrote The Book



Na primeira incursão da (ex?) vocalista dos The Gossip pelo mundo pop a solo, verifica-se mais uma homenagem a Madonna. O clipe recria de uma forma, por vezes, divertida e até charmosa o herético clipe de «Justify My Love» e o voguing sofisticado de «Vogue». Em termos musicais, Ditto vagueia entre o vocal desnorteado de Roisin Murphy e o dance ligeiramente místico de «Hercules & Love Affair». Nunca se esqueçam: her name is Ditto, she’s gonna be your mistress tonight.

12. Whites Lies – Bigger Than Us


Os sucessores de «The Editors», com acne, regressam com um som mais agressivo e desorganizado (distanciando-se dos seus inspiradores rock) mas a mesma autoridade vocal grave que tanto soa a «The Presets» e um clipe digno de um filme de sci-fi a condizer.

Outras:
Robyn - Indestructible
Chestra - Perhaps, Perhaps, Perhaps
Kanye West – All of The Lights (ft. Rihanna)
Wyinter Gordon - Dirty Talk
Savage skulls ft. Robyn – Bad Gal
Hercules & Love Affair - Painted eyes
Roisin Murphy - momma's place
Wolfram ft. Hercules & Love Affair - Fireworks
Alexis Jordan – Hapiness (Deadmaus5 Mix)
Crystal Castles – Not In Love (ft. Robert Smith)

A democracia só é boa quando convem

«As democracias tem de estabelecer ligações com as ditaduras» Marcelo Rebelo de Sousa, em defesa de Luis Amado. Faltou-lhe acrescentar: «porque a estabilidade no preço do petróleo conta mais que os direitos civis»...

Lady GaGa - Born This Way (video)

E GaGa parece ter pegado no ovo e efeito uma omelete onde tudo é válido: futurismo, psicadelismo, narrações, referências a Frankenstein (ou Mother Monster como ela se auto-intitula), de novo «Express Yourself», críticas ao taylorismo, coreografias inofensivas e anorexia (proposital?). Vanguardismo? Não mas come-se...

Frase da Semana


«O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o impossível»
Max Weber

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Adi Nes

Chama-se Adi Nes e soube da sua existência graças a um poste no facebook do Miguel Vale de Almeida. Através do Wikipedia (rica fonte de informação hein?) descobri que é um fotógrafo israelita e uma parte do seu trabalho se baseia no homoerotismo arábico. A ver:













Pegar nele e... BLOOM!



A nova carinha laroca da Hugo Boss.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sanctum

Filme de James Cameron ("Titanic", "Avatar") com a mesma intensidade dramática dos anteriores e o mesmo fascínio pelas grandes paisagens, fotografia e efeito 3D. Apesar de abordar a questão da eutanásia (subliminarmente), tem um elenco sem muita profundidade emotiva ficando-se pela beleza de Rhys Wakefield (Josh) e talento de Richard Roxburgh (Frank). Ou seja, mete água em vários sentidos.

As opiniões de um adulto experiente


Justin Bieber defende que as mulheres deviam abortar mesmo em caso de serem violadas porque «tudo tem uma razão de ser». Alguém o mate por favor? É que «tudo tem uma razão de ser»...

Sites de consulta obrigatória

Dois sites essenciais para se consultar:

- notícias nacionais e internacionais LGBT: Dezanove;

- notícias relativas ao universo musical pop internacional com forte incidência nas femmes fatales (Madonna, Spears, GaGa, Rihanna, etc): We are the Pop Slangs.

O que é que um homem tem? Prosta!

As aberrações de certos lobbies na medicina


O que são alterações genéticas "aberrantes"? Já que a palavra "aberração" comporta uma dimensão religiosa e um juízo de valor, pergunto-me (e sabendo que a medicina não é neutral), são os olhos azuis "aberrações"?

As preocupações "emancipatórias"


O Ocidente está preocupado com as oscilações no preço do petróleo. Será melhor os ditadores matarem as pessoas?

Percebe-se que às democracias liberais estão a borrifar para as pessoas e os seus direitos (civis, sociais, humanos, etc) e que só interessam pelos excessos (e.g., o capitalismo).

Frase da Semana


«tu tanto pode cair de cara no chão como te inclinares demais para trás» James Thurber

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bullying ao Jorge Miranda? Algumas pessoas podem-no achar «uma coisa horrorosa»


O mesmo Governo que permitiu o casamento entre pessoas do mesmo sexo é o mesmo Governo que acusa a campanha contra o bullying homofóbico de «ideológica» (como se a desigualdade não fosse também «ideológica»). Algumas escolas dizem que se trata de "promover a homossexualidade". Sim, como se sabe, a orientação sexual é algo que se passa a "aderir". Pensando bem, não leiam este poste sob o risco de virarem rabetas!

Jorge Miranda é uma anedota. Ainda não percebeu que combater o bullying homofóbico não é uma questão de ideologia ou opinião mas (além de uma responsabilidade estatal e constitucional) um valor ético (como refere Câncio). A não ser que JM ache que devemos discriminar os "Joões", as pessoas com all stars, com a unha do dedo do pé direito encravada, católicos ou heterossexuais. Os conservadores podem ser tãaao relativistas...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Britney Spears - Hold It Against Me (2011)

Heis o tão esperado clipe da princesa da pop. Impressões: Britney está mais madura mas não mudou assim tanto, recrutou um bom material dançante mas passou o clipe nisto, lutou contra si mesma («Die another day», «She's not me» - Madonna?) e ironizou o casamento num conceito tão confuso quanto o dubstep (Cascada?), tudo num ambiente futurista ao estilo «Matrix» e com a ajuda brutal do merchandising. Atenção: nada contra a Britney (mesmo que ela peça...).. Ver aqui.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Os conservadores atacam por onde podem


Quando um não quer, os dois não dançam, right? Gostei de ver o Presidente da Associação de Juízes afirmar:

«É compreensível num momento em que o Governo e o ministro da Justiça estão completamente a ir ao fundo, que o professor Boaventura Sousa Santos [Observatório Permanente da Justiça] viesse dar ajuda nestas circunstâncias. Estes estudos pagos pelo Ministério da Justiça ao professor Boaventura Sousa Santos não o deixam num campo de distanciamento suficiente para fazer uma análise objectiva»


E então qual é essa análise "objetiva"? A do António Martins?

Don't cry for me, Brasiuuu...

... the truth is... i've just left you!

O vosso trabalho, a vossa atrapalhação

Estão por todo lado os cartazes do Mourinho («o nosso trabalho, a nossa paixão»).

Precisei de saber se com o meu cartão de débito (Maestro) me permitia fazer levantamentos na Turquia. Na primeira sucursal disseram-me que não tinham a certeza, na segunda confirmaram-me que dava mas de forma hesitante (segundo percebi o cartão Maestro tem várias versões...). Pois...

Donald Trampa


Donald Trump, suposto futuro candidato republicano às Presidenciais norte-americanas em 2012 (e opositor do casamento gay, embora com a pseudo-tolerância do costume - o que não é mau se tivermos em conta a franqueza homofóbica de Bush), diz que taxaria 25& dos produtos chineses.

Fica claro pois:

- Como é que a política neo"liberal" é por si só, xenófoba;

- Como é que há um excesso do pilar da regulação em detrimento do pilar da emancipação (como diria Boaventura Sousa Santos);

- Como é que a democracia é um campo de tensões por vezes paradoxais (liberdade de mercado mas controlo nas fronteiras);

- Como é que a direita neo"liberal", mais do que ter um engodo para resolver, tem que se justificar;

- Como o racismo não se focaliza só na relação histórica (brancos[o])/negros[as]) mas é abrangente tendo em conta outras dimensões para além da cor de pele (nacionalidade, língua, cultura, etc) e outras raças/etnias como, por exemplo, os/as chineses/as, esse povo que rapta pessoas para tirar os seus órgãos e enchem as metrópoles (e não só) com as suas lojinhas e mão de obra barata (que chatice right wing...) mas que, por vezes, até são úteis...

A (E)moção de censura do BE


Excelente texto de Daniel Oliveira (what a surprise! zzz). De facto, não consigo situar-me em nenhum dos 5 pontos. Tornou-se muito difícil perceber a moção de censura bloquista. Ponto positivo: discórdia no PSD. Aguiar Branco votaria favoravelmente na moção... Haja alguma coerência da direita...

.... e daí talvez concorde com o ponto 2 (como ilustra Catarina Oliveira).

Sol, chuva, sol, chuva, sol, chuva...

Sol, chuva, sol, chuva, sol, chuva... E que tal uma moção de censura a S. Pedro?

As arbitrariedades


Carlos Castro tem relações sexuais com um prostituto de 21: Carlos Castro é uma bichona pedófila, é um aliciador, é o diabo em pessoa.

Berlusconi tem relações sexuais com uma prostituta de 17: é um garanhão, ela esta a pedi-las, deve ser só julgado por corrupção.

O 29 de Fevereiro

Natcho foi à Loja do Cidadão tirar o passaporte. Quando verificou o recibo, reparou que a data a partir da qual o passaporte estaria pronto era 29 de Fevereiro. Ora pois bem, este ano Fevereiro não tem dia 29...

A homofobia policial e os atrasos das Américas nos direitos LGBT



Manifestação pública de afetos no Peru é crime? I don´t think so...

Assim se vê que as políticas de esquerda tem que assumir as bandeiras mais progressistas para além do sucesso das medidas socialistas nas Américas. Igualdade é isto camaradas. Simultaneamente, tem que se (re) educar os "machos" latinos e a polícia (pleonasmo?) e cortar as pernas aos lobbies religiosos (católicos e evangélicos).

(R)evolução

É comum a direita neoliberal perguntar petulantemente: o que é que vocês, new left, conseguem fazer contra o capitalismo? Nós respondemos com uma pergunta: e o que é que vocês conseguem fazer contra os movimentos sociais, os direitos humanos e civis e as grandes revoluções? Procurem em África a resposta:




Egito, Tunísia, Irão, Turquia. Como dizia Rui Tavares no seu blogue:

«(...) Nos últimos dias houve quem se lembrasse de uma velha história que se contava na Europa de Leste: “a revolução na Polónia demorou dez anos, na Hungria dez meses, na RDA dez semanas, e na Checoslováquia vai demorar dez dias”. Nenhuma analogia é perfeita: em vez de avançar progressivamente, a revolução saltou de um país sui generis como a Tunísia para o coração do mundo árabe (...)»

After Life

Excelente filme sobre as (in) definições conceptuais entre a vida e a morte. Destaque para a sempre cálida, assexuada e burtoniana Ricci no papel de morta que não aceita a sua condição. Ou estará ela viva?

Aviso à civilização

A partir de agora (que deixei de ser uma "criança blogguer") abrir duas novas categorias (três, vá) e "extinguir" uma outra que aparecerá bifurcada. A tag «Mundo» irá se bifurcar entre «Nacional» e «Internacional» e tratará das questões políticas (como a tag «Mundo» já se ocupava) mas agora geograficamente (e essencialmente) situadas. A outra tag chama-se «Aviso» e dedica-se a alertas técnicos aqui do blogue. Enjoy!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ama-te a ti mesmo


É típico pensarmos que as pessoas que não gostam ou o detestam visceralmente o «dia dos namorados» (e namoradas, why not?) é porque não tem ninguém. O pensamento tem a sua cota de verdade, afinal de contas inveja e frustração são partes integrantes do ser(-se) humano. Mas não necessariamente: muitas pessoas já estão servidas (e bem servidas) e continuam a achar este dia uma chachada. E já não digo uma chachada com um objetivo claramente consumista como o Natal ou demográfico como o Hotel Flamingo, mas um dispositivo com o propósito claro de impor um princípio normativo a toda a sociedade: namorar é bom, não és ninguém se não namorares. Os arautos da privacidade ficam entalados em dias como estes pois torna-se complicado argumentar que o amor é um acto privado.

O amor (e as diferentes formas que ele pode assumir) faz(em) bem? Talvez, mas tal não significa que eu tenha que amar alguém, no sentido tradicional do termo. A minha felicidade pode não passar por ter alguém, vivenciar a conjugalidade, construir família. E atenção: não se trata propriamente de impotência/frigidez, assexualidade ou “sexualidade saltitante” como os bons vivants (porque não existe um termo homólogo para mulheres?) – ou se quiser empregar uma terminologia moral: os “promíscuos/as” ou nosológica: os erotómanos ou, na versão feminina, ninfomaníacas -. Simplesmente não quero ter aquilo a que se chama namoro, relação, emparelhamento.

Que o “dias dos namorados/as” seja tão indispensável à vida terrestre como “o dia dos nigerianos de cabelo loiro”, “o dia dos camionistas com um furúnculo no dedo do pé esquerdo” ou “o dia dos piaçabas amarelos às bolinhas azuis”, até posso compreender; não compreendo é tal aparato sobre um dia que a única razão de existir é apenas como lembrete de oferenda de boxers vermelhos do Popeye ou lingerie mega ultra minúscula do tamanho de um piolho bebé na cabeça do Marques Mendes com o único objetivo de proporcionar um orgasmo ofegante em êxtase global para, ao fim de algumas horas, voltar tudo à normalidade: cerveja na mão, roupa para lavar e porrada velha.

O grande culpado é o Cupido. Interrogo-me: porque é que não mete a flecha no sítio que eu cá sei? Não é só Narciso ou a Lili Caneças que tem o dom de se apaixonar por eles mesmos, por mais kinky (pelo hipotético apelo à masturbação em massa) ou selfish que possa soar.

Amarmo-nos a nós mesmos (e nem sempre aos outros como prega a Bíblia) é também uma boa forma de estarmos apaixonados, com uma certeza inviolável: nunca iremos carregar uma tonelada de chifres na cabeça. Porque mesmo que tal acontecesse, quem iria querer carregar o duplo sentimento de trair e ser traído?

Dizem: ama o próximo como a ti mesmo. Bem, eu digo: ama-te a ti como o teu próximo. E esta hein?

Quem nasceu primeiro? O ovo ou a GaGalinha?

Se o efeito era chocar, GaGa conseguiu. Nos dois sentidos. Passo a explicar: a polémica cantora, para apresentar o seu mais recente single, «Born This Way» nos Grammy's, num laivo de criatividade , decidiu seguir à risca todo o processo de fidelidade conceptual, isto é, surgiu de um ovo. E não só: ao representar os clichessímios temas da igualdade e da defesa da diversidade étnica/sexual, personificou um alien (Ziggy Stardust?). A atuação baseou-se numa mera dança sem recursos a muitos efeitos coreográficos ou especiais. Pode-se mesmo admitir que levamos com uma GaGa estrelada e não mexida. Valeu a exploração do conceito.
~



Impressão minha ou a Kinder vai passar a oferecer GaGa's como brinde?

Nota: o video está uma boste mas os direitos de autor/a fazem com que melhores vídeos não resistam no youtube.

Percebe-se agora o interesse na família...


«A menina faz sem?»

É preciso referir a autora?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Frase da Semana


‎«The greatest pleasure in life is doing what people say you cannot do»
Walter Bagehot

Perigoso mas ok, és um grande maluco Walter eheheh

RockMyBlog

Blogue muito bom sobre uma miscelânea de assuntos nomeadamente... homens! Dê uma olhada e fascine-se!

Hercules & Love Affair - Blue Songs (2011)


Um dos álbuns mais aguardados do ano (para mim e para muita boa gente) foi o «Blue Songs» dos Hercules & Love Affair que saiu a 31 de Janeiro (e vazou pouco antes).

Não posso dizer que fiquei desiludido mas, verdade seja dita, o álbum não é perfeito e correspondeu exatamente à minha expetativa (o que não é necessariamente positivo pois podia ultrapassá-la).

Indo ao que interessa: o álbum começa por enveredar por umas canções mais sonoramente intensas caindo depois numa melancolia (Anthony?) pegajosa para posteriormente recuperar o ritmo e acabar numa única faixa entediante em tons de ressaca.

A abrir as hostes temos a melhor canção do álbum: «Painted Eyes». Recuperando a onda rítmica fulgurante do álbum anterior com pitadas de electro, som orquestral que confere tons apocalípticos e simultaneamente exóticos à coisa e letra a combinar, «Painted Eyes» é belíssima. «My House» (que já falei aqui), primeiro avanço do álbum, é uma ode aos eighties e à black music – a passar para os nineties - (o clipe teve direito a um clipe quase caseiro que parece ter sido gravado em VHS). Por breves momentos pensamos que entramos no universo de LCD Soundsystem (por causa do título) mas não. Quanto muito o universo «Hard Candy» de Madonna. Single esperado? Não mas original, lá isso é. Destaque para os sons guturais de Foxman.

Logo a seguir, «Answers come in dreams», mais soturna mas igualmente dançável e, sobretudo, altiva. «Leonora», que tanto faz lembrar as canções do último álbum, é mais romântica. Depois o pântano: «Blue Boy» é Bowie em formato acústico e culmina em tons de emancipação no final, «Blue Song» é um pouco mais agitada, selvática e agreste. O que mais se aproxima do espírito natural pré-Zen no meio do Amazonas.

A seguir os momentos mais entusiastas: «Falling» é uma das boas. Festiva e circense, não dá para parar com um refrão em reverberação. A conhecida «I Can’t Wait» é puro electro e invoca imagéticas policromáticas (ou vermelhas: “fire”). «Step Up», com o eloquente ex-vocalista dos Bloc Party (e agora com carreira a solo e que assumiu há pouco tempo a sua homossexualidade), Kele Orekeke, é noturna e sexy demonstrando que os H&LA não perderam a veia house de tal forma que nem soa a H&LA. «Visitor» é o momento alto de Wright e pisca o olho ao melhor electro de Miss Kittin. Por último, «It’s Alright» é música de ressaca na voz de Foxman. Saudosista e reconfortante como convém.

Os membros são muito diferentes das pernas, atenção

«O corpo humano é dividido em tronco, membros e pernas» O meu irmão

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Aisha


Foto premiada pelo Worl Press: a afegã Biba Aisha, de 18 anos, mutilada pelo próprio marido. A fotografia é da autoria de Jodi Bieber e foi capa da «Times». Curiosidade: «Aisha» (segundo o Wikipedia, por isso não sei se é muito credível...) é, etimologicamente (e não menciona a cultura/nacionalidade/língua...) a passagem de Adão para Eva. A ser verdade, é profundamente sarcástico...

Bye bye Mubarak, hello democracy

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Isildinha, os pro-"vida" e a sua "preocupação" com os gastos públicos


Isilda Pegado (sim, a mulher não para. Ainda vai bater o recorde da Cher em relação à persistência na sua presença indesejável...) entregou na Assembleia da República uma petição (ela e as petições) e disse, na quarta-feira, que o Estado já gastou 100 milhões de euros com o aborto desde que foi legalizado em Portugal, há quatro anos, acrescentando que o aborto em Portugal é "frequente, ilegal e inseguro".

Pois, esqueceu-se de dizer o aborto é frequente porque agora passa a ser legal e seguro pois permite-se «a interrupção voluntária da gravidez em condições de humanização e de segurança.» pois, como se sabe, a maior parte das mortes maternas se devem a abortos clandestinos. Cai por terra o argumento que é inseguro. Só não percebo a parte do "ilegal" porque, de facto, é legal... Isildinha, vá, o contrário de estar vivo é estar morto, o sol é um astro e a água é um líquido ok?

Os gastos estatais? Ora, os abortos são realizados com recurso a medicamentos e não com recurso a internamento hospitalar, ao contrário dos abortos clandestinos, além disso, a maior parte das mulheres são tem insuficiências económicas em relação à média (salário médio de 1000€), o que constitui um factor externo inevitável, isto é, no one's the blame.

Mas acho engraçado que o lobby pro-"vida" tenha tanta pena dos gastos estatais quando a política direitista procure destatizar ao máximo... Ironias! Rezo (hey lá) para que uns 60 mil futuros pro-"vida" não resistam à evolução. Assim sim, faz sentido ser a favor do aborto!

A foto não é uma provocação a Isilda Pegada, aliás, o vestido foi o melhor que encontrei por cá e até a favorece...

Lady GaGa - Born This Way

E GaGa finalmente lançou a sua prometida canção-mestre. Impressões à primeira audição: s/vestígios do som sombrio de «Monster», pelo contrário, um apelo enérgico à festividade e ao ginásio; intensamente tune (algures entre Bronski Beat, Lauper e Madonna nos seus piores momentos dance) e cheia de calão queer. Exceto o refrão que tanto faz lembrar «Express Yourself» de Madonna, não entra no ouvido facilmente mas não se pode dizer que não é diferente daquilo que ela já fez.

Outra leitura

A direita quer-se apropriar do Governo e expandir o seu fogacho neoliberal, tão incitado pelos/as socialistas. Quando o BE se chega à frente e apresenta uma moção de censura, ora é uma «brincadeira inconcebível» (PSD) ou «espera-se para ver» (CDS). Grande laughinhg out loud...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Black Swan

Um drama com a combinação exata de suspense (e algum surto fantasista) atravessando temas tão plurais como auto-mutilação, sacrifício e exigências pelos sonhos, assédio/abuso sexual, ambição/concorrência desmedida, (homo) sexualidades reprimidas, drogas. Destaque para a versatilidade de Portman, simultaneamente, a white e black swan!

Xanax Mr President?

Cavaco vetou mais um diploma (as promessas hardcore ante-eleições parecem cumprir-se sobre a égide da ambição, do poder e do absolutismo). Diz ele que se preocupa com as dificuldades dos portugueses. Eu acho que a intenção é mesmo compatuar com o lobby capitalista dos medicamentos de marca... Cavaco, take a pill and shut a fuck up!

A big, big truth

Frase da Semana

«I'm not a fag yet, but I am bi-curious»

Butters Stotch

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cameron e os fracassos do multiculturalismo (liberal)


De vez em quando a direita surpreende-nos com afirmações que, longe de serem provincianas, são efectivamente carentes de racionalidade. Desta vez foi a vez de David Cameron, primeiro-ministro britânico e líder do Partido Conservador. Refere ele que o projecto do multiculturalismo fracassou. «Oh», dizemos nós.

Não posso deixar de salientar o facto de gostar da utilização do passado no verbo fracassar: indica um corte (como quem diz, “acabou, já não é preciso revisita-lo”) e uma nova visão de futuro (“que se lixe o multiculturalismo!”).

Ora pois bem, o problema será o multiculturalismo ou a forma como ele é pensado/operacionalizado? Certamente Cameron sabe a distinção entre multiculturalismo (mero reconhecimento das "diferenças" culturais, zoo show) e interculturalidade (interação, diálogo, construção conjunta).

De facto, Cameron mostra-se preocupado com o extremismo. Ora, o extremismo é transcultural porque qualquer um/a (branco/a, negro/a, árabe, homem, mulher, gay, hetero, cigano/a, etc) pode ser extremista, contudo, percebe-se que a indirecta é para a comunidade islâmica no restante discurso.

Cameron argumenta que «é preciso uma identidade nacional mais forte e uma política de “liberalismo musculado” para reforçar os valores da igualdade e da lei junto de todos os elementos da sociedade». Olé, diria eu se gostasse de analisar os discursos de uma forma readerly text, isto é, exactamente como o/a interlocutor/a quer que eu os perceba (ou digira).
Desconstruindo: se o multiculturalismo tem a função de deshierarquizar as “diferentes” culturas como é que se pode exigir (?) uma identidade nacional. Mais: o que é isso de identidade nacional? Parece-me (e isto sou eu que devo ter uma noção muito parca do que é “a sociedade”) que a identidade nacional é construída perante um melting point (como um grande clube de futebol composto por brasileiros/as, africanos/as, portugueses/as, ingleses/as, etc, que represente uma nação) e não sobre a égide de um projecto eugenista homogéneo (como um plano hitleriano de “enlourecer” a população).

Percebe-se que a ideia de igualdade de Cameron é por si só racista e fascizóide, típico dos neoliberais, cujas diferenças são toleradas a partir do momento em que representem um bem material para as grandes empresas multinacionais (o nicho gay – ou pink dollar - é um bom exemplo), daí a referência a um “liberalismo musculado” que, paradoxalmente, vai ao gym queimar as calorias estrangeiras mas farta-se de engordar à custa dessas mesmas calorias.
É ou não é um paradoxo defender esse tal liberalismo e simultaneamente exigir o controlo das fronteiras (Cameron, Sarkosy)? Não deverá também o Estado fechar as fronteiras às multinacionais?

Cedo, Cameron revela todo o seu argumentário anti-estatal quando refere que «as organizações que pouco fazem para combater o extremismo devem deixar de receber dinheiros públicos» mas não deixa de ser curioso que, preocupado com a necessidade de todas as crianças aprenderam o inglês (afinal, só uma cultura realmente importa… a linguagem como dispositivo de hegemonizar nações) e com a necessidade de as escolas promoverem a “cultura comum do país” (que anula as “diferentes” culturas e oculta a heterogeneidade das pessoas), procure a todo o custo privatizar a Escola Pública (Passos Coelho, Cavaco Silva).

De facto, gosto da forma como o discurso dele (re) inventa o Estado: ora responsável na promoção da "cultura comum", ora distante na promoção do multiculturalismo. Estranho... Pergunto-me: é ou não é um paradoxo exigir igualdade perante a lei quando se procura, a todo o custo, liberar a lei da regulação do Estado? É, no mínimo, perverso usar o Estado para… destatizar. Nesse sentido, para Walzer (1999: 144)

«O multiculturalismo como ideologia é um programa que visa a uma
maior igualdade econômica e social. Nenhum regime de tolerância
funcionará por muito tempo numa sociedade imigrante, pluralista,
moderna e pós-moderna, sem a combinação destas duas atitudes:
uma defesa das diferenças grupais e um ataque contra as diferenças
de classe».

Eu entendo o multiculturalismo (o Canadá, nos anos 80, foi o primeiro país a aplicar este projecto) como uma “forma anti-discriminatoria” da gestão das relações raciais. Ora, a ênfase, no discurso de Cameron, nos/as islâmicos/as, faz exactamente o contrário: promove o estigma contra um determinado grupo social (sexual, racial, étnico, …), já que a linguagem não é neutra (se digo, por exemplo, que os/as ciganos/as são x, estou a dar à sociedade – esse aglomerado de pessoas que também são “os/as” ciganos/as - o que ela deve pensar sobre os/as ciganos/as e os/as ciganos/as sobre si).

É uma situação/posição ingrata defender (ou desejar enquadra-las no quadro favorável) determinadas culturas que integram rituais aos quais discordamos profundamente (subordinação das mulheres – sem direito de voto, leis do adultério, excisão do clítoris -, repressão à homossexualidade – criminalização, não reconhecimento legal -, etc), como a cultura islâmica na sua essência mas presumo que muitos/as antes de mim já lidaram com essa dificuldade: por exemplo, os/as republicanos/as. Lutando contra a soberania absolutista monárquica e tudo o que ela representa (poder, elitismo, ditadura, biologismo, …), cedo se deram conta que a própria República poderia abarcar esses mesmos esquemas com as ideologias de cada partido.

aqui falei nos interesses neoliberais em algumas agendas progressistas (Cameron mostrou-se tão receptivo ao casamento entre PMS) mas Cameron parece seguir a cartilha islamofóbica europeia. Não admira que seja um apoiante fervoroso de Mubarak, mesmo que isso signifique ir contra os seus ideais libertários que o seu discurso tanto apregoa.

Quem defende o globalismo capitalista não pode atentar contra as liberdades culturais já que a globalização é um processo multifacetado e paradoxal. Como refere Silveira (2008: 66), «(…) com o período pós-colonial e com os processos de globalização, contudo, as desigualdades tanto no Nor te como no Sul foram aprofundadas, ocorreu uma mobilidade crescente das populações do Sul para o Norte, bem como a diversificação étnica das populações residentes nos países do Norte. Como consequência a distinção entre os dois tipos de sociedades (as que têm cultura e as que são cultura) ficou cada vez mais difícil de ser sustentada (…)».

Mais: não sei se trata de uma questão de identidade cultural ou identidade religiosa mas sobre a laicização não vi Cameron falar. Não se esqueça Cameron que o liberalismo não é um campo neutro de encontro para todas as culturas, mas a expressão política de um só tipo de organização política.

Conclusão: nunca o multiculturalismo (ou interculturalidade?) fez tanta falta num mundo sobre uma crise financeira de que não há memória, prova viva de que o capitalismo… fracassou. Ou melhor, fracassa, porque não gosto dos verbos no passado.

Referências bibliográficas utilizadas:

SILVEIRA, Eloise da (2008) “Multiculturalismo versus interculturalismo: por uma proposta intercultural do Direito”, In Desenvolvimento em Questão, Vol. 6, Núm. 12, pp. 63-86
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.

WALZER, Michael (1999) Da tolerância. São Paulo: Martins Fontes.

E estamos em crise...


Uh la la...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A homofobia e a masculinidade


Os homens heterossexuais sentem-se ameaçados pelos homens gays. Não é nenhuma novidade sociológica/psicológica, é um facto.

Sempre que eu – gay assumido - convivo com homens heterossexuais (e falando em nome da minha experiência, com toda a sua cientificidade) há uma expressão, uma premissa dita (e não dita), um comentário, um realce mais ou menos expressivo (ou impositivo) da sua (hetero) sexualidade e/ou virilidade que revela a necessidade intrínseca dos homens heterossexuais em realçarem a sua heterossexualidade, mesmo que nada lhes seja pedido/exigido. Basta a presença de um homem gay (assumido) para que esse “mecanismo” seja utilizado.

Esse “mecanismo” tem nome: chama-se homofobia, é um neologismo e foi criado pelo psicólogo George Weinberg em 1971 e é traduzível como qualquer forma de discriminação em relação a pessoas homossexuais, real ou simbolicamente, existindo em vários graus. Daí que todos/as nós sejamos homofóbicos/as, até os/as próprios/as homossexuais.

No Sábado, conheci pessoalmente o namorado da Joana, uma amiga minha. Palavra puxa palavra, a conversa descambou para o sexo (what a shock!) e para… circuncisões. A certo momento, o namorado da Joana indagava-se o que é que haveria de interessante numa pila (ironicamente), isto é, na presença de um gay, estava a demonstrar o seu nojo (subliminar é certo) por pénis, órgão sexual mais simbólico do homem.

Quando andamos (o grupo onde se integravam mais dois homens heterossexuais que sabiam que eu era gay), andavam invariavelmente à minha frente. Posso concluir que o objectivo era que eu não apreciasse as suas nádegas, daí que me deixassem ir à frente.

Num comentário da Ípsilon sobre o clipe «I Want Your Sex» de George Michael (e na qual o/a jornalista refere, ironicamente ou não, que George Michael foi uma lufada de ar fresco e meteu «(…) os pauzinhos na engrenagem (…)»), um jovem hetero reage (sem que alguém lhe perguntasse alguma coisa: «eu cá não deixava que me metessem os pauzinhos na engrenagem». E exemplos desses conto aos milhões…

Em suma: os homens heterossexuais tem constantemente que realçar a sua heterossexualidade para que auto-consciencializem dela e o que se torna crísico quanto mais inseguro o homem hetero está da sua heterossexualidade (a Psicologia explica isso). Não admira que quanto mais a homossexualidade saia do armário mais reações homofóbicas lhes subsistem (e mais reações gays e so on…).

Assim, é pois errada duas ideias: que os homens gays são os exibicionistas da história e gostam de demarcar a sua (homo) sexualidade e que a sexualidade é natural. Se de facto a sexualidade fosse natural porque tanto ritual de masculinidade, porque tanto performance de género, porque tanto alarido? A sexualidade é pois uma peça de teatro que todos/as nós temos que representar, por um motivo qualquer mas que representa uma relação de poder e de ganhos/perdas em contextos que são, invariavelmente (mas não necessariamente) heteronormativos, sexistas e homofóbicos.

Aqui vai um (grande) excerto do meu trabalho de «Metodos de Investigação em Educação», adaptado (isto é, sem os excertos das entrevistas):

«(…) Etimologicamente o termo homofobia provém da junção do termo de “homo” (não no sentido de “igual” mas sim de “homossexual”) e “fobia” (referente a aversão/rejeição). A designação “fobia” pode parecer uma recriação irónica com a patologização da homossexualidade (assim como o termo político orgulho gay com uma inversão sarcástica do orgulho macho) e assenta naquela imagem apocalíptica evocada por algumas pessoas homofóbicas de que a universalidade normativa da homossexualidade trará a desorganização estrutural da sociedade e/ou o fim da espécie humana.

Dessa forma, a homofobia é um conceito que gera algumas discussões nas suas tentativas de definição e pode assumir várias formas, sendo, de uma forma genérica definida como:

«(…) a hostilidade geral, psicológica e social, respeitante àquelas e àquelas que se supõe que desejam indivíduos do seu próprio sexo ou têm práticas sexuais com eles. Forma especifica de sexismo, a homofobia atinge também todos que não se conformam com o papel pré-determinado pelo seu sexo biológico. Construção ideológica consistente numa promoção de uma forma de sexualidade (hetero) em detrimento de outra (homo), a homofobia organiza uma hierarquização de sexualidades e extraí delas consequências políticas»
(Borrillo, 2001: 36)

Assim, ela é comparável a outros sistemas de discriminação como o racismo, a xenofobia, o sexismo ou o anti-semitismo pois tem como alvo identidades que não resultam da escolha consciente e/ou voluntária dos sujeitos sendo as suas operacionalizações múltiplas .

Múltiplas razões podem levar uma pessoa a ser homofóbica: crença em valores culturais, morais e/ou religiosos, ideologias políticas, machismo social, internalização de ódio e/ou vergonha, etc.

Tal como refere Miguel Vale de Almeida (2004) existem vários tipos de homofobia: a homofobia institucionalizada, a homofobia social, a homofobia latente e a homofobia interiorizada e pode-se especificar as suas ramificações em detrimento das identidades sexuais lesadas: lesbofobia (em relação a lésbicas), transfobia (em relação a transexuais) que, se por um lado, salienta a identidade visada por outro descentraliza o preconceito.

Assim, pode-se falar ainda em “heterofobia” embora não exista uma simetria (seja estatística, visível ou histórica) entre ambos os sistemas de preconceito.

Na perspectiva homofóbica, a identidade homossexual passa a ser marginalizada. O gay e a lésbica (as excepções à norma) passam a ser encarados/as como transgressores/as das convenções sociais e o facto de conviverem no mesmo espaço, gera um sem-número de sentimentos que pode ir da indiferença ao desejo de exclusão (Junqueira, 2009: 369). Tal como refere Guacira Lopes Louro:

«(...) os sujeitos que, por alguma razão ou circunstância, escapam da norma e promovem uma descontinuidade na sequência sexo/gênero/sexualidade serão tomados como minoria e serão colocados à margem das preocupações de um currículo ou de uma educação que se pretenda para a maioria. Paradoxalmente, esses sujeitos marginalizados continuam necessários, pois servem para circunscrever os contornos daqueles que são normais e que, de fato, se constituem nos sujeitos que importam» (Louro, 2004: 27)

Uma das funções da homofobia declarada (para além da desqualificação numa lógica de competitividade sexual) é instigar vergonha e medo para que os homossexuais se silenciem (e, portanto, se invisibilizem e não conspurquem a heteronormatividade) obrigando-os/as a permanecerem ou a voltarem ao isolamento do armário «(…) como um dispositivo de regulação da vida de gays e lésbicas que concerne, também, aos heterossexuais os seus privilégios de visibilidade e hegemonia de valores (…)» (Sedgwick, 2007).

A repressão homofóbica, como controlo de importantes formas de significação social, serve pois um determinado “ideal ideológico e eugénico” que pretende a mudança para a heterossexualidade como autoridade cultural inquestionável.

Nessa lógica a homossexualidade deve permanecer no manto da intimidade e os próprios homossexuais contribuem para essa estratégia homofóbica: «ninguém precisa de saber que sou gay». Se a lógica é quebrada a homofobia torna-se pública (embora ela seja pública per si) e gera-se uma luta cíclica: mais visibilidade gay, mais homofobia, mais visibilidade gay, mais homofobia, etc, até que a homofobia elimine a homossexualidade (real e simbólica) dominando as representações sociais (heteronormatividade ) ou a visibilidade gay modifique as estruturas que condicionem a sua naturalidade/legitimidade.

Torna-se claro que a homofobia pretende ter como consequência desejada, a adequação a uma estrutura de género (e assim de orientação sexual) em conformidade heteronormativamente com o seu sexo ou, em última instância, a desestabilização (psíquica e física) dos homossexuais para que se cumpra a profecia auto-realizável da “doença mental do homossexualismo”.

Ao mesmo tempo, o homem não-heteronormativo (gay ou hetero) torna-se o bode expiatório de masculinidades hegemónicas (até mesmo dos gays heteronormativos: os “gays discretos”) e em crise. Insultar o gay é uma forma de dizer “eu não sou como tu” e, portanto, “eu não vou sofrer o mesmo estigma que tu” (Kimmel, 1998), daí que os homens estejam constantemente em alerta à procura do desvio feminil nos outros homens para, ao denunciarem-no, se possam livrar do perjúrio homofóbico.

Assim, o insulto homofóbico, dirigido a homens, como paneleiro, larilas, maricas, florzinha, condensa uma certa exorcização ao feminino, atestando na sua “natural inferioridade” e confirmando assim a relação entre as concepções de género assimétricas e a homossexualidade. Constroem-se assim masculinidades «por oposição a um feixe de “outros”, cuja masculinidade foi problematizada e desvalorizada» (Kimmel, 1998: 133) em lugares de tensão desregrada e concede-se um lugar de identificação a homens gays. Isto é, constrói-se a masculinidade utópica.

Sendo a homossexualidade uma ameaça à virilidade masculina (infiltrada, devido à sua invisibilidade), a sua exposição pública, seguida de uma aura de imputabilidade, sugere a possibilidade de “reconversão hetero-homo” o que seria inaceitável para os machos heterossexuais. Insultar o gay é pois demarcar-se.

É por isso que a homofobia é, à partida, mais intensa quando os rapazes estão agrupados pois estão-se a produzir modelos de masculinidade que se reproduzem por imitação social e assentam na reafirmação performativa da sua masculinidade (Marques Silva & Costa Araújo, 2007), da sua heterossexualidade e do repúdio, paradoxalmente quase histérico, à homossexualidade masculina (particularmente, a não heteronormativa) (Vale de Almeida, 1996). Assim, homofobia obriga a homofobia numa crescente dinâmica até o aperfeiçoamento da “masculinidade desejada”, por mais utópica que seja.

Da mesma forma, a pressuposição do homem gay como alguém cujo papel sexual é, invariavelmente, passivo (o homem gay seria penetrado e felaria o parceiro) conforta a masculinidade, distancia-a duma perda de virilidade simbólica, salvaguarda-a duma inversão de género radical (um homem que penetre é superior a um homem que é penetrado pois cumpriria o seu papel “mais natural”) e afasta-a da possibilidade de ser um alvo passivo do homem gay: o homem heterossexual mantém assim o seu status penetrador e falocrático, particularmente se esse homem possuir características que o reprimam quanto ao seu status existencial, nomeadamente, a de classe (Arnot, 2007). Não é por acaso que os gunas ou os/as ciganos/as (usualmente com um forte conceito de família tradicional) costumam ser, à partida, extremamente machistas e homofóbicos/as. Não é por acaso também que a categoria biológica de “homem” (sexo) passa a ser considerada uma categoria simbólica (género) no insulto homofóbico: os paneleiros não são homens.

Portanto, o artifício e a perfomatividade salientam o carácter “anti-natural” da heterossexualidade. Assim, esta nunca poderá existir sem uma repressão constante à homossexualidade, como uma contínua binarização típica do pensamento ocidental (eu sou este e tu és esse, que é completamente diferente de mim).

Tal facto evidencia também a própria precariedade da identidade heterossexual (numa lógica pós-moderna), assim como da identidade homossexual (dissimulada para efeitos de acção política), pressupondo uma bissexualidade fluida onde as identidades transitam e onde os lugares estáveis de desejo são pensados numa lógica racionalista das perdas e ganhos para os sujeitos (e as suas construções identitárias) (Butler, 1999).»

Referências Bibliográficas:

ARNOT, Madeleine (2007). “Identidades Masculinas de Classe Trabalhadora e Justiça Social: Uma reconsideração de learning to labour de Paul Willis à luz da pesquisa contemporânea” In Educação, Sociedades e Culturas nº 25, 9-41.

BORRILO, Daniel (2001) Homofobia. Barcelona: Belaterra.

BUTLER, Judith (1999) Gender Trouble. Feminism and the Subversion of Identity. Nova York, Routledge.

JUNQUEIRA, Rogério Diniz (2009) “Educação e Homofobia: o reconhecimento da diversidade sexual para além do multiculturalismo liberal” in Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas. Brasília, Edições MEC/UNESCO.

KIMMEL, Michael S. (1998) “A produção simultânea de masculinidades hegemônicas e subalternas” in Horizontes Antropológicos/UFRGS. IFCH. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Porto Alegre: PPGAS, pp. 103-118.

LOURO, Guacira Lopes (2004) “Os estudos feministas, os estudos gays e lésbicos e a teoria queer como políticas de conhecimento” in LOPES, Denilson et al. (Orgs.). Imagem e diversidade sexual: estudos da homocultura. São Paulo: Nojosa.

SEDGWICK, Eve Kosofsky (2007) “A Epistemologia do Armário” in Cadernos Pagu (28): 19-54.

SILVA, Sofia Marques & ARAÚJO, Helena Costa (2007) “Interrogando Masculinidades em Contexto Escolar: Mudança Anunciada?” In Ex Aequo nº 15, pp. 89 – 117.

VALE DE ALMEIDA, Miguel (1996) “Género, Masculinidade e Poder” in Anuário Antropológico, 95: 161 – 190.

VALE DE ALMEIDA, Miguel (2004) “Cidadania Sexual: Direitos Humanos, Homofobia e Orientação Sexual” In Comuna, 5: pp. 50 - 55.


O povo precisa de mim... longe!


Tadinho! Está tão farto que ficou no poder durante 30 anos às custas dessa coisa tão democrática que é o poderio militar. Claro, tudo para o bem do seu povo que o amava. Afinal de contas porque iria querer o povo, eleições livres?

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

24

Fez ontem um mês que fiz 24 anos e (guess what!) não morri!

Armazém do Chá


Já tinha passado lá inúmeras vezes mas só me atrevi a ir lá sábado passado. Conclusão: espírito rock/grunge, com muitos hippies e góticos.

O consumo são 2€, as bebidas andam à volta dos 5€ (foscasse!). Entra-se e acede-se a um corredor enorme de mesas de um lado e de o outro até culminar na... WC. No canto superior direito acedemos à "sala dos concertos" (subindo as escadas, claro). Voltando à entrada: no lado superior esquerdo, subindo às escadas, acedemos a uma sala que, num lado possui sofás para o convívio e no outro, uma pista qb espaçosa e um bar.

É um lugar muito peculiar, próprio para quem gosta de um certo ambiente underground (nunca se comparando, por exemplo, aos Maus Hábitos).

Contactos? No Blogue tem a informação toda, tim-tim por tim-tim:

MORADA

Rua José Falcão, 180
4050-315 Porto
Portugal

HORÁRIO

De Terça a Sábado das 21h às 04h.

TELEFONE

+351 222 444 223

O Marinheiro


Restaurante típico do coração tripeiro, com cozinhados confeccionados de forma tradicional e ambiente "oldies-vintage-praxe". Ideal para uma jantarada informal com amigos. O prato escolhido por mim a primeira vez que fui lá foi uma espécie de puré de bacalhau com camarão. Muito bom mas aconselho a pedir mais de uma dose porque um dose é pouco.

Moradas

Praça Dona Filipa de Lencastre, 187 - Porto
4050-260 Porto

Concelho : Porto
Tel: 222058760

Kylie, Kylie, a quanto obrigas

Até a pirâmide abana



Quando se fala em ditaduras pensamos em regimes políticos extremamente autoritários, com um líder como cabeça da organização, a quem todos/as devem obediência máxima e submissão e onde a palavra «liberdade» só existe num único sítio: na jaula. Esta é a noção tradicional de ditadura, comummente ligada a regimes de (extrema) direita (Hitler, Franco, Mussolini, Salazar).

Quando olhamos para o nosso mundo ocidental pensamos que a maior parte das liberdades estão conquistadas e que o nosso mundo ocidental se pauta, quer pelo respeito (ou na melhor das hipóteses: tolerância), quer pela liberdade de fluxo de informação, o que é um pensamento legítimo e com base sociológica fundamentada.

Um macro processo, a nível mundial, e resultante dos processos político-económicos da mundialização do sec. XV, foi responsável pela aceleração atómica da informação: a globalização que tanto maximizou os processos de implementação capitalismo como forma de organização económica mais viável, quer o ideal de democracia conceptualizada pelas ideias iluministas (liberdade, igualdade, fraternidade), em claro deficit (e mesmo oposição) com o interesse capitalista.

A globalização permitiu um maior fluxo de informação e maior poder libertário de tal forma que, hoje em dia, pensar numa ditadura em moldes tradicionais não se coaduna com a ideia de ditaduras. A direita sabe-o. Como se tornou impossível controlar o social, as ditaduras travestiram-se de outras formas: a) mercados e b) democracia (falseada, claro).
Passo a explicar:

a) os processos económicos capitalistas, desde do sec. XVIII, culminaram com a emergência e domínio do sistema bancário no mundo inteiro sem limites, barreiras ou regulações estatais totais. Exemplos: hoje em dia, se queres ter um emprego, tens que abrir conta no banco para receber o salário; existem empresas multinacionais e bancos que são 10 vezes mais ricos que muitos Estados e o desenvolvimento de uma sociedade é medido por índices meramente económicos. De facto, os bancos tomaram conta da nossa vida económica e o poder económico concentrado numa só instituição ou pessoa se tornou um perigo (Berlusconi é detentor de uma boa parte do sistema televisivo italiano). A crise financeira mundial e as medidas de austeridade estatal como resposta são implicações desses sistemas. Para além desses acontecimentos, anda no ar, desde da década 80/90, a ideia de que não há alternativas ao capitalismo caindo-se assim num determinismo fatal que rejeita outras possibilidades e se consolida num pensamento único e homogéneo.

b) as democracias falseadas são pretensos estados democráticos sem que de facto se trate de uma democracia, quer pela retórica do discurso e distanciamento dito/prática (é bonito falar-se de igualdade e não reconhecer o voto das mulheres), quer pela deturpação conceptual dos mecanismos democráticos (utilizar-se o referendo contra o casamento entre PMS, justificando-se pelo rigor democrático que representa mas esquecendo conceitos como democracia representativa), quer pelo desequilíbrio conceptual da própria democracia (não se pode liberar uma empresa que vai contratar x trabalhadores/as durante 1 ano e despedi-los de seguida – liberalismo – quando isso prejudica outros pilares democráticos com o desemprego, precariedade, etc – fraternidade (ou falta dela).

Isto tudo para dizer o quê?

Os acontecimentos no Egito representam, quer o poder das populações, quer a inoperância das ditaduras (Tunísia, Iémen, Jordânia) como formas de controlo. O satélite que transmitira para a Al-jaazera foi interrompido e logo se ergueu outro. A população, saturada de uma ditadura de 30 anos, diz «basta!» e aqui não se trata de fundamentalismo islâmico. Refere Rui Tavares:

«É desencorajador ver as chancelarias ocidentais procurando conhecer melhor a biografia de Omar Suleiman, o novo vice-presidente. A resposta já foi dada pelos egípcios: Omar Suleiman é o passado, e vocês conhecem-no bem. Omar Suleiman foi o homem que com a administração Bush tratou de sequestros, prisões secretas e tortura. É o rosto da cumplicidade com as apodrecidas ditaduras do médio oriente em troca de petróleo, estabilidade e repressão. Omar Suleiman é um daqueles peritos em manipular o medo ocidental com o fundamentalismo islâmico enquanto embolsa biliões de dólares em “ajuda” militar. Que há para conhecer que não saibamos já?»
Washington hesita, em vez de desligar a ficha a Mubarak de uma vez por todas. Tel Aviv preocupa-se, porque lhe dava jeito ter aquela ditadura ali ao lado. E Bruxelas — quem se rala?»

Assim, como Slavoj Žižek:

«A hipocrisia dos liberais ocidentais é de tirar o fôlego: eles publicamente defendem a democracia e agora, quando o povo se rebela contra os tiranos em nome de liberdade e justiça seculares, não em nome da religião, eles estão todos profundamente preocupados. Por que aflição, por que não alegria pelo facto de que se está a dar uma chance à liberdade? Hoje, mais do que nunca, o antigo lema de Mao Ze Dong é pertinente: "Existe um grande caos abaixo do céu - a situação é excelente».

Esta revolução demonstra outra coisa: o claro deficit entre interesses capitalistas e aspirações sociais democráticas, marcando pontos o primeiro. É preferível uma ditadura que represente os interesses económicos das grandes nações (EUA – de qualquer forma - ou particularmente Israel) que haja uma coisa tão maléfica como eleições livres para as populações. Mas afinal de contas, a globalização não auxilia só o capitalismo mas também a consciência comunitária das pessoas e os novos movimentos sociais, daí que a Internet (facebook, twitter, etc) tenha logo sido cortada. Ela possibilitou discursos e acções verdadeiramente democráticas e esse é medo das ditaduras não ocidentais: perante elas, até as pirâmides abanam.