domingo, 31 de janeiro de 2010

Heroes 4


Passei o fds todo coladão à terceira temporada (2 volumes). Agora vou para a 4ª :D

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O lobo ou o vampiro?














Vi hoje o new moon, uma tentativa gritante de recriar um "Romeu $ Julieta" gótico. É engraçado mas não é marcante. Desta feita, há novo inquérito: Qual é o mais gato? Robert Pattison, o nosso charmoso vampiro de estimação, ou Taylor Lautner, o nosso lobo com ar de gatinho? Make your decision!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Andou Pandora a abrir a sua caixa para isto...

Nunca tive, por hábito, ir ao cinema. Quer dizer, vou de vez em quando mas passo bem sem pisar uma sala de cinema, sem as pipocas barulhentas besuntadas em caramelo de 2 semanas e a coca-cola borbulhante que me incita: bebe! be-be! Apesar de gostar de ver filmes (como a maior parte das pessoas) sempre achei um desperdício dar 4€ (3,50€, cartão de estudante) por uma experiência de um hora e tal, por mais agradável que ela seja, quando se pode sacar um filmezinho em menos de 50 min e vê-lo no aconchego do lar, mais concretamente, do sofá da sala (é ilegal? é tão ilegal como a marijuana ou o aborto antes de 2008).

Foi precisamente no aconchego do meu lar que hoje vi o Avatar. Sim, aquele fime que está no top ten dos filmes mais lucrativos de sempre e cujo personagem principal é um monstrozinho azul de 2 metros e tal de altura e cara de gato (pensar nele como um ex-fuzileiro paraplégico também não ajuda muito...).

Por norma, os filmes seguem um enredo que, apesar de extremamente variável pois as histórias são múltiplas, a regra é invariavelmente: personagem - acção - resolução. Filmes que, como o Avatar, abordam a luta de povos pelo sobrevivência existem aos magotes (e até levou os activistas gay norte-americanos a enxergar homofobia onde pode até existir o contrário: reconhecimento e aceitação da diferença). E sim, o Avatar é um desses filmes. Uma espécie de metafóra para o colonialismo misturada com o actualissimo desejo de evasão cibernético onde o real e a ilusão se misturam, o amor (hetero, por supesto) sempre pronto a fazer das suas, efeitos especiais e voilá: duas horas e meia de entretenimento de massas.



Não desgostei. A dada altura, já estava coladão ao ecrã do portátil a trocer pelos Na'vo, a chorar com a morte da Grace Augustine (adorei o facto de Sigourney Weaver ter participado num filme de ficção científica desta envergadura que tanto faz lembrar o alien), a cantar o "I see you" da Leona Lewis (detesto Leona!) e a suar de vertigens com a escalada do nosso guerreiro para obter o seu ban-shee. Desfiz o meu preconceito mas não é um grande filme, é só mais um. Que Eiwa me perdoe.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Are you fat? No, i'm fag


Depois de ver este video agora percebo porque é que existe tanto heterossexual no mundo. A culpa é do McDonald's.

Frase da semana


"O dinheiro não tem a mínima importância, desde que a gente tenha muito." (Truman Capote)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Quando for grande quero ser um homem X


É fácílimo supor que um jovem gay, na sua infância, brincava com Barbies ou outros clones da boneca-maravilha da Mattel, mas como dizia uma amiga minha certo dia,, em tom de brincadeira: "depois apareceu o Ken...". Não, nunca gostei realmente muito de brincar com bonecas (não que houvesse algum problema se gostasse). Os meus interesses, enquanto graúdo de palmo e meio, sempre andaram à volta de três interesses: filmes da Disney (que eram sempre bons pretextos para descobrir a minha sexualidade com as meninas pois havia sempre um beijinho implícito), jogos na antiquada Sega Saturn (quem não se lembra do Sonic?) e BD's. De facto, as BD's marcaram a minha vida. Como qualquer criança o mundo da imaginação era sempre um refúgio e subterfúgio para uma vida que preferia esquecer. Na impossibilidade de fazer upgrades e mudanças radicais, por mim mesmo, recorria ao mundo mágico do Batman, do Dragonball e dos X-men. Lembro-me que a primeira (e única) vez que o meu pai me disse que tinha orgulho em mim foi quando lhe mostrei uma BD, feita por mim, com a ajuda dos blocos de papel que a minha mãe trazia do seu emprego, na Igráfica. Onde quer que fosse mostrava os meus desenhos, o que, de certa forma, dava um certo alento ao carácter ultra-machista do meu pai que se vangloriava por ter um filho que sabe desenhar bem. Podia-se supor o contrário. Homem que sabe desenhar só pode ser maricas. Mas não, o meu pai gostava de saber que eu tinha, pelo menos, alguma utilidade e os vizinhos passavam a conhecer a minha veia artística, para além das constantes discussões (com tudo o que isso implicava) dentro do meu lar doce lar.

Hoje vi o X-men 4. Nunca gostei muito do Wolverine. De certa forma, a barba mal amanhada e a musculatura imponente sempre me fizeram lembrar ele. Sem garras de adamantiun mas não se coíbia de magoar quem quer que fosse.

Os X-Men sempre foram os meus companheiros de sempre. Era demasiado pequeno (7, 8 anos) para ter consciência do que é ser-se homossexual, apesar de já o saber que o era. Havia um rapaz na minha turma que tinha o mesmo nome próprio que eu, Hugo, daí que a professora tenha preferido tratar os dois pelo apelido. Eu, Hugo Santos e ele, Hugo Araújo. O Hugo Araújo era o meu pai em ponto pequeno e, ironicamente, a única distinção entre os dois (tirando a idade, claro) era a atracção que o HA exercia em mim. Era um poder muito forte. Magnético como o Magneto. Sentia até ciúmes da pretensa namorada (alguém com 8 anos namora?), a Filipa. Queria ser ela. Contudo, o Hugo Araújo, por eu ter um nome igual ao dele, fazia de tudo para me magoar. Tal como o meu pai. Nem sequer tinha desenhos para lhe mostrar e atenuar a minha dor. Então refugia-me nos contornos másculos dos X-Men. Mais tarde descobri que podia ser uma metáfora para a homossexualidade com os seus discursos dúbios sobre tolerância, diferença, aceitação. Eu era um mutante e o HA um humano normal. No way...

Cresci sem super-poderes mas venci muitas batalhas. A mágoa ao meu pai passou a indiferença. Já não tenho o hábito de desenhar BD's, apesar de ter mais motivos para me orgulhar e fazer @s outr@s orgulhos@s de mim. O mundo já não é mais o mesmo e poderá ficar melhor depois de 8 de Janeiro. Mutantes e humanos normais a lutar, lado a lado, por um mundo melhor.

Perguntou-me a minha mãe, certo dia, enquanto observava atentamente a finalização dos meus últimos desenhos: "- O que queres ser quando fores grande?"; Respondi-lhe com um sorriso rasgado de criança inocente: "-Quero ser um homem X!"

Well, that's what i am now, a X-Men.

Gaga quando era Goga

O programa era o "Boiling Points" da MTV em 2005. GaGa (antes de ser Lady) pergunta, revoltada, à empregada: "quer que eu coloque na sua boca?" QUEREMOS GAGA!

sábado, 23 de janeiro de 2010

Os gays vão casar, acho que me vou matar buaaaaah



Enfraquecimento da auto-estima?! Este comentário é tão bom como a tentativa do deputado israelita, Benisri, em culpar os homossexuais pelos terremotos que assolaram Israel em início de 2008 ou as manifestações da Westboro Church que avisam @s norte-american@s que, se não criminalizarem a homossexualidade, Deus vai continuar a odiar os US e vão continuar a morrer pessoas no Iraque. Esta gente é doida varrida! Depois são os homossexuais que são doentes...
Pior: há gente na Igreja que acha que tem o curso de Psicologia, possivelmente tirado algures na Faculdade de Psicologia Cristã de Arouca da Universidade do Senso Comum. Existem comentários, de tão infelizes que são, só contribuem para demonstrar a irracionalidade homofóbica e, por conseguinte, até nos ajudam.
A dado momento pensei que o D. José Policarpo se estaria a referir ao facto de a igualdade no acesso ao casamento civil ter como consequência possível com que muitos gays e lésbicas, em vez de se sentirem implícitamente obrigad@s (através do mecanismo homofóbico predilecto da vergonha/repressão/medo) a casar com pessoas de sexo diferente, recalcando a sua verdadeira orientação e identidade, sem querer, «enfraqueçam a comunidade familiar», acabando assim com mentiras e omissões que só @s prejudicam a el@s e às pessoas que @s rondam. Ou até mesmo que o acesso ao casamento civil, por parte d@s homossexuais, fará com que os heteros se indaguem: "faço filh@s, depois abandono-os, os gays que tratam del@s!" (tão ridículo como imaginar que a despenalização do aborto vai levar todas as mulheres a abortarem) mas os comentários psicóticos do bispo deixaram-me a duvidar da sua capacidade de "imaginação sociológica".

Já estou a ver, vira-se a mulher para o marido: - "Olha para aqueles gays José, parecem tão contentes!"; Marido: "- Talvez se me deixasses foder o teu cu podíamos ser tu e eu ali querida..."
Razões para queixa devia ter eu, gay e solteiro. Com o repentino surto de casamentos gays só me restará duas hipóteses: ou me contentar com o papel da "outra" ou ficar para tia.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Madonna - Across The Sky

Finalmente vazou! É uma balada doce do género da "miles away", letra incrivelmente inteligente e romântica e mãozinha de midas do Timbaland com vocais do Justin Timberlake (qualquer semelhança com a "whats comes around goes around" é pura coincidência). De 0 a 100, 1000. Dá para acreditar que foi substituída pela medonha "spanish lesson"?



I'm no stranger to deception
I've lied, I've been lied to
I'm no paragon of virtue
But I wanna be with you
I've never been a righteous soul
And I don't pretend I am
But I walk the line when I'm with you
'Cause you make me believe I can

But we're running out of options
And we're running out of time
And I don't know if it's you or me
But it's time to speak your mind

Because I'm travelling across the sky
When you're with me, your hand in mine
Our honesty will make us fly
Baby, travelling across the sky

Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh

I'm not good at keeping quiet
And I can't keep this tied down
'Bout time to count for something
Yet we're still hanging around
If you need an explanation for
What's false and what is true
It'll never stop the world and think
That I could not be with you

But we're running out of options
And we're running out of time
And I don't know if it's you or me
But it's time to speak your mind

Because I'm travelling across the sky
When you're with me, your hand in mine
Our honesty will make us fly
Baby, travelling across the sky

Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh

Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh (Travelling across the sky)
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh (Travelling across the sky)
Across the sky, oh-oh-oh-oh-oh oh-oh-oh (Travelling across the sky)
Across the sky, oh-oh-oh-oh.

Contradições naturais


A propósito da suposta inconstitucionalidade do casamento entre PMS afirma Marinho Pinto que o casamento é uma instituição criada pelo ser humano e: «o Homem pode, a qualquer momento, alargar o seu âmbito, modificá-la ou até extingui-la (...) o casamento enquanto instituição foi criado em condições históricas concretas, em obediência a valores concretos, e que variam de sociedade para sociedade. Há sociedades onde permitem o casamento poligâmico, outras permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e o que se vê é uma instituição historicamente relativizada»

Já é um avanço. Quer dizer, não sei se é realmente um avanço pois, se refere e bem a mutabilidade do conceito de casamento num prisma histórico (mutabilidade essa que não cai no erro do relativismo pois continua a basear-se num mútuo acordo e na liberdade de cada indivíduo) parece ignorar que o próprio conceito de família, ele mesmo, não é fixo e sim flexível (continua sempre a existir 5 critérios-base, impermeáveis ao relativismo - afecto/carinho, apoio mútuo/dedicação, conhecimentos específicos para crianças, poder económico e estabilidade psicológica/relacional): «na família natural, nada é permitido, porque foi a natureza que organizou as coisas assim»


Família natural?! O Marinho Pinto ainda não percebeu que a própria família não é natural mas sim uma construção social?

Deus não existe, vai uma aposta?


A Aposta de Pascal, criada por Blaise Pascal, longamente apresentada no livro "Penseés", não é um argumento directo da existência de Deus. É um argumento que poderá ser considerado calculista, a favor de um comportamento humano de acordo com a existência de Deus, seguindo a "razão do coração". Este argumento tem mais ou menos o conteúdo que se segue:

Se você acredita em Deus e nas Escrituras e estiver certo, será beneficiado com a ida ao paraíso.
Se você acredita em Deus e nas Escrituras e estiver errado, não terá perdido nada.
Se você não acredita em Deus e nas Escrituras e estiver certo, não terá perdido nada.
Se você não acredita em Deus e nas Escrituras e estiver errado, você irá para o fogo eterno.


No entanto, este argumento apresenta-se como uma maneira muito maldosa para se tentar convencer as pessoas da possibilidade da existência de Deus. Se analisado, constata-se que é uma falácia do tipo argumentum ad baculum ou apelo à força, uma vez que ela afirma que "se deve acreditar no Deus judaico-cristão sob pena de ser severamente punido após a morte". O perigo e a crueldade desta forma de argumento foi denunciado pela filósofa Hipátia de Alexandria, por volta do ano 400dC, com o seguinte comentário, sobre o Cristianismo que crescia na epoca;

- Governar acorrentando a mente, através do medo de punição em outro mundo, é tão baixo quanto usar a força.

A Aposta de Pascal também incorre na falácia do tipo falsa dicotomia, quando reconhece a existência de apenas duas opções, acreditar ou não no deus judaico-cristão -- ignorando, porém, que existem milhares de outros sistemas de crenças, cada um com seu(s) respectivo(s) deus(es), a serem considerados como existentes ou não. A crença no "deus errado", de acordo com a maioria das religiões, é punida da pior maneira possível. Portanto, as chances de acertar acreditando no Deus judaico-cristão são muito menores do que o estipulado por Blaise Pascal, que é de 50%. Outra coisa a se considerar é o fato de existirem "deuses não-documentados" com propriedades bem diferentes do que as estipuladas pelas Escrituras: omnipresença, omnisciência, omnipotência, benevolência etc.

Esta "aposta" tenta nos levar a acreditar em algum deus, com o pressuposto que isto é muito vantajoso você estando certo e insignificante se estiver errado. Mas esta vantagem é ilusória, pois nunca foi provado que alguem recebeu tal beneficio. E o preço a pagar por crer não é insignificante, pois a pessoa precisa prestar obediência a lideres religiosos, seguir dogmas e tradições sem questionar, e contribuir financeiramente para manter a religião.

A Aposta de Pascal também pode ser usada para tentar-se provar que outras religiões estejam certas, como trocar as Escrituras pelos Evangelhos, ou pelo Corão, por exemplo. No entanto, o resultado, se devidamente analisado, mostrará que as possibilidades de se crer no deus estipulado são mínimas. A conclusão sobre o assunto é variável de acordo com as crenças de cada um. A Aposta, no entanto, independentemente das controvérsias religiosas, é um interessante jogo de argumentação, que mostra como levar as pessoas a um raciocínio errado.

É de Blaise Pascal a frase "O coração tem razões que a própria razão desconhece".

Texto retirado do wikipedia e adaptado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Monárquicos ou anarquistas? Monarquia ou democracia?


A moda dos referendos definitivamente veio para ficar. Agora é a vez do PPM (Partido Popular Monárquico) exigir um referendo. Não sei não. Acho que o partido se contradiz demasiado para que mais de 0,5% da população possa votar nele (embora 0,5% seja mais do que o PNR conseguiu nas últimas eleições). Exemplo: Nuno da Câmara Pereira refere, ao Público, que: « A trilogia Deus-Pátria-Rei é sempre vertical (...)» e posteriormente afirma que « a diferença substancial entre o sistema monárquico e o sistema republicano em que para se ser democrata não é preciso ser republicano ».


Oh Caro Nuno, ser monárquico é ser-se tudo menos democrata. Aliás, é totalmente o oposto.


Por outro lado, não percebo o vosso apelo ao carácter democrático do referendo quando o sistema que vocês propõem é anti-constituicional pois subverte a própria democracia. Ás vezes acho que o conceito de democracia foi claramente deturpado pelo pessoal de direita. Democracia não pode ser uma estratégia para submeter os outros aos meus regimes. Aquilo que o João Pinto e Castro, no Jugular, denomina de "a raposa àolta no galinheiro", isto é, « a única liberdade que de verdade a mobiliza é a da raposa à solta no galinheiro, ou seja, aquela peculiar forma de liberdade que aumenta o poder daqueles que já o têm para mais à vontade poderem espezinhar os que dele carecem ».

Também acho uma certa piada estes monárquicos terem uma certa atitude anti-estabilishment. Se fosse ao Cavaco Silva tinha cuidado...
Referendo à imbecilidade JÁ!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Óoobama à loja


Pois é. Parece que a popularidade do presidente Obama caiu em flecha após um ano na Casa Branca. A pior crise de todos os tempos (maior que a crise bolsista no Wall Street na década de 30) parece não ajudar muito; a tendência escape goat para culpar os lideres políticos perante os cenários de crise revela-se uma realidade (sim, podem interpretar este poste como justificação da minha constatação) mas convenhamos: apesar de gostar do homem, Obama não fez grande coisa. Ganhou um Nobel, mais por aquilo que pretende fazer do que pelo que fez. Futurologia? Se foi futurologia, as previsões sairam goradas, o Nobel merecia ser devolvido e o povo reembolsado. Não só o americano, mas sim o povo mundial.

Como jovem (ihih) de esquerda que sou, simpatizo com os democratas (e bem sei que parece uma incoerência visto que a política norte-americana é, toda ela, capitalista - republicanos e democratas - no entanto, temos que reconhecer que a grande distância entre eles se prendem com prioridades, príncipios, costumes e medidas sociais). Dessa forma, identifico-me com o socialismo obamiano. Contudo, os democratas têm um enorme problema: são demagogos e retóricos. Ora, Obama absorve o pior dos democratas.

Os seus discursos, muito à la Milk, soam a isso mesmo: palavras, não a actos. Ora, a política não se faz só de palavras (embora estas sejam essenciais): faz-se também de acções. Exemplo: disse que iria acabar com a política Don't Ask, Don't Tell que impede homossexuais assumid@s de servirem nas Forças Armadas. Pois, prometeu em 2008 (salvo o erro) até agora nada. Basta ver o seu discurso dirigido à comunidade LGBT para se deduzir que tanto aplauso é em vão e as suas ilusões sobre a capa dos sempre tão empolgantes direitos humanos não passam disso: caça ao eleitorado. Manifestou-se contra o casamento entre PMS mas disse que era favor da ampliação dos direitos nas uniões civis. Alterou alguma coisa?

Que a crise não se resolva com meias medidas e imediatamente é um facto, que os democratas enveredem por uma política de medidas graduais (o que eu chamo de apalpar tereno) é outro (note-se as movimentações pacifistas e os diálogos com a Rússia, China e tentativas de diálogo com o Irão) mas é preciso mais. A esperança não chega. Corre o risco de ser a primeira a morrer, o que é uma pena porque até gosto do Obama.


O terremoto dos mass media: 1000 na Escala de Richter (menos, muito menos!)

Que os mass media gostem de explorar a desgraça alheia não é segredo para ninguém. Que o terremoto no Haiti tenha provocado uma verdadeira hecatombe no país também já o sabíamos. Contudo, deveria haver uma certa consciência dos limites por parte da comunicação social e não mostrar certas imagens à hora do jantar. Ninguém gosta de desfrutar de uma bela perna de cabrito e ver a gangrena a deteriorar o braço de um jovem haitiano (dito assim parece um bocadinho imperialista mas é só para manifestar a minha irritação com o oportunismo mediático de uma tragédia por parte dos media).



Eduardo Pittá partilharia da mesma opinião.


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Novas descobertas netinianas


E já agora, descobri um site porreirinho (graças ao Heber) para ouvir música seleccionando apenas a categoria que se quer (pop, rock, jazz, etc) e ele automaticamente elabora uma playlist. Fixe para descobrir novos sons. Ver aqui.

Truque para sacar fotos do hi5

Aconteceu-me, já há algum tempo, carregar uma foto no hi5, que por acaso era uma das minhas fotografias preferidas, e posteriormente ficar sem ela. A única forma de voltar a tê-la era mesmo fazendo "guardar imagem como" e tudo bem. Acontece que o hi5 (já algum tempo) não permite esse processo, por questões de direitos de autor(a)/plágios, e as minhas tentativas de recuperar a foto não surtiram efeito. Pesquisei, pesquisei, pesquisei e descobri uma fórmula de fazer download das fotos do hi5. Hacker? Não, inteligente!

Aqui vai. Ingredientes? É só preciso ter o Mozilla (não sei se faz alguma diferença a versão; eu tenho a mais desactualizada, a versão 2). Procedimentos?

  • Abra a página do hi5, no seu perfil, e vá para a foto que pretende;
  • Prossiga até à proxima foto e no cantinho superior esquerdo a fotografia pretendida vai aparecer em formato minúsculo;
  • Seleccione a fotografia minúscula (a que você quer sacar) e com o botão do lado direito do rato faça "copiar endereço da imagem" (atenção: só no Mozilla existe esta opção);
  • Agora coloque o endereço na barrinha da Internet. Vai-lhe aparecer a fotografia minúscula mas você quer a fotografia em tamanho normal certo? Substitua o "01" final no endereço por "02" e voilá;
  • Agora é so fazer "guardar imagem como" e está.

Apesar de não usar muito o hi5 agora (facebook killed the hi5 star), este truque dá imenso jeito para, por exemplo, ver melhor a fotografia inicial dos perfis privados de hi5.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Bad Bad Romance para acabar com o Bad Bad Humor

Frase da semana


«Todo mundo é capaz de dominar uma dor, excepto quem a sente.»
William Shakespeare

domingo, 17 de janeiro de 2010

A vida é uma merda - Parte I


A vida é uma merda. Alguns e algumas de nós já chegou a esta conclusão, definitiva ou contextualmente, alguma vez na sua vida. Alguns/algumas várias vezes, outros/as raramente, mas, de uma forma geral, esta frase "a vida é uma merda" já passou na cabeça de alguém, com direito a imagem e tudo.

Houve sempre um motivo. Nada é em vão. "Olha o que me apetece pensar hoje? Vamos lá ver... hum... é isso, a vida é uma merda!" Nah, nah, nah, houve sempre um motivo qualquer para tal ilação. E sim, eu digo qual é o MEU motivo, aliás, os meus motivos: amor e sexo (indivisivéis?). Pois, a dado momento já estarão a presumir que amor e sexo são os principais motivos pelos quais alguém conclui que a vida é uma merda, pela qual a vida não presta. Bingo!

Pois é. As coisas do amor, do sexo, do engate, da sedução, ou por outro lado, do desamor, da fome de pele, da solidão, da fealdade são coisas que, na maior parte dos homens gays, se não ocupam um papel central, são evidentemente aspectos cruciais das suas vidas (d@s heteros também mas eu acho sempre que @s heteros tem mais pontos de fuga...)

Na minha vida são o epicentro. Não que eu me só preocupe com futilidades ou engates (tenho sempre que me resguardar dos estereótipos que me dão como promíscuo - vulgo puta -, deprimido ou drama queen) mas porque,, ou por sentido kármico (sou ateu, whatever), por sina, por azar, por acaso ou por feitiço, eu definitivamente não tenho sorte nenhuma nessa coisa a que os gregos chamaram a afrodisia. Não adianta! Quais são então as minhas preocupações?

Eu não sou giro. Não sou mesmo. Não digo isto para me vitimizar e receber o feedback: "oh és és...". Não, não sou. Sim, os gostos são relativos mas há sempre uma base fixa. As esmagadora maior parte das pessoas considera o Brad Pitt mais giro que o Mister Bean. Há excepções, é um facto, mas não há grande espaço para dúvidas. Comigo é a mesma coisa. Poderá existir alguèm que diga "oh mas tu és tão giro Hugo". Aceito mas são raríssimas aquelas que o dizem porque o sentem realmente. Aposto que muitas delas ou querem uma queca rápida (e nesse caso o que elas queriam dizer era: "oh mas o teu rabo é tão giro Hugo") ou dizem-no por piedade, fazendo um esforço sobrenatural para que soe verdadeiro e que eu engula o efeito placebo ou realmente porque me acham muito giro (0,005% da população terrestre - ou extra-terrestre, whatever).

Muitos e muitas certamente vão dizer: "tu próprio estas a dar demasiada importância à aparência..." HELLO!!!!!!! WAKE UP!!!!! A aparência é importante! Pior, SUPER importante! É o teu embrulho, a parte que magnetiza quem te olha, quem te "estuda". Dizer que não importa é porque se é cínico com "C" grande. Há coisas mais importantes? Talvez, mas o físico é sempre o critério number one. Não sou eu que o digo, nota-se perfeitamente n@s outr@s e nos esforços imperiosos que envolvem essa questão.

A razão porque ninguém me manda msg no gaydar (a não ser uns cotas esfaimados), a razão porque ninguém se mete comigo no hi5, no facebook, etc, a razão porque ninguém investe em mim, não é porque não sou inteligente, simpático ou dedicado. É porque não sou giro. Não sou feio feio feio mas não sou suficientemente atraente para ficar retido na cabeça de alguém ou me tornar um potencial alvo, não sou! Quantas pessoas já não namoraram? Bem, eu tenho 23 e nunca namorei.
Mas não é só. Aí vêm o pior dos piores argumentos. Aquele que me deixa extremamente fodido. Aquele que inviabiliza a razão da minha queixa: "ninguém te quer porque estás sempre a lamentar-te que és feio" LOOOOL. O facto de eu andar por aí a brandar aos céus que tenho auto-estima para dar e vender não vai resolver o problema, tanto não vai porque já o fiz. Pior. Só resultou em conflitos de interesse e colisões de personalidades ("convencido!"). Permaneci sozinho na mesma.

Ás vezes se não será melhor ter sido heterossexual (as mulheres querem lá saber se tenho um ponto branco debaixo do olho esquerdo), mudar de sexo (os homens querem é borga) ou fazer uma plástica (demasiado caro).
Sem saber o que fazer... E tenho 23. Imaginem quando chegar aos 32.
Bah, a vida é uma merda...


Nota: não aceito comentários de pena. Aliás, nem sequer aceito comentários. É para reflectirem!



O terramoto de domingo à noite (não no Haiti, na SIC)

E esta noite é noite de Idolos!!! E quem é que queremos que ganhe? Isso mesmo, Carlos Costa! Manuel Moura Santos não partilha da mesma opinião e chamou, à última actuação do Carlos, «pop foleira»... Hey, wait, wait, wait, o Idolos é um programa de ópera? Não me parece... Jorge Palma é o quê? Pop sofisticadíssimo? Era bom que o Sérgio Rosado e o Nélson Rosado dessem um ar da sua graça no programa, logo eles que fazem pop foleiro, há 10 anos, tendo inclusive um dueto com Ronan Keating...

O que este MMS queria era pôr o Carlos a beber cerveja, comer tremoçadas, arrotar e engatar umas garinas. Não pode! Isso têm um nome...

Bem, quanto a nós, já temos o nosso Adam Lambert/Will Young português. Like it or not!


E o mundo ficou mais ... Alegre!


E não, não é uma piadinha gay (alegre = gay). Manuel Alegre, após tanto "vai-não-vai", candidatou-se a próximo Presidente da República, fazendo frente-a-frente a Cavaco Silva, que já reafirmou que está cansado (pois pois...). A meu ver, a única candidatura que consegue unir a esquerda. No entanto, divide o próprio PS (vale lembrar as amarguras de 2008?) e Vitalino Canas não parece muito, lá está, alegre.

Olhem, quanto a mim, já tenho em quem votar. Eu cá não vou em cantigas nem em cavacos. Mas o voto é secreto (chiuuuuuu).

sábado, 16 de janeiro de 2010

Pelo amor da (guerra) santa


Escreveu o jornalista Francisco Cabral, num artigo de opinião no Público, o seguinte: " (...) voltou o ateísmo militante (...) "

Lendo as notícias sobre a implementação da lei da blasfémia na Irlanda (sim, o país onde a 1ª dama traíu o marido com dois homens - pai e filho) e os referendos patrocinados pela Igreja Católica, aos minaretes suíços, parece-me que é justamente o contrário: voltou o movimento da reconquista com direito a pressões inquisitoriais.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Feminist standpoint


A propósito do meu exame de Epistemologia e História da Ciência e das memórias despertadas esta semana:

Standpoint feminism - «teoria feminista na qual se argumenta que a ciência social deveria ser praticada dentro do ponto de vista das mulheres e/ou de vários grupos e subgrupos de mulheres (ou outras minorias - gays, negros, jovens, etc) e que se certifica que esses pontos de vista são melhores preparados para compreender certos aspectos do mundo. A epistemologia do standpoint feminista propõe que se faça das experiências das mulheres, em vez das experiências dos homens, o ponto de partida»

Haraway, Donna (1988) Situated Knowledges: The Science Question in Feminism and the Privilege of Partial Perspective, Feminist Studies, 14:3, p.575-99.

Identidade (ou dignidade?) de género


Tem o apelido de uma das famílias mais acarinhadas da América, os Simpsons, contudo é considerada pel@s reaccionári@s, como anti-família; tem o nome glamouroso da ex-esposa de Bowie, Amanda e já foi engenheira, agora é divorciada e tem um filho de 15 anos. Faz parte das mudanças que o Obama pretende introduzir na política de Washington e, só por acaso, ela própria, fez uma mudança: de sexo! Ladies and gentleman (or Lords and gentlewomen), Amanda Simpson!

É a primeira vez que uma pessoa assumidamente transexual é nomeada para um cargo público por um Presidente americano. Por aqui, @s noss@s transsexuais ainda esperam pela lei que reconheça a sua identidade de género...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A homossexualidade é uma aberração. E gajas casadas de 50s que andam com chavalinhos de 19 são o quê?

Pela boca morre o peixe. Pacheco Pereira tinha razão: a heterossexualidade feminina, mais cedo ou mais tarde, conduz à pederastia.


Aventuras com finais felizes

Sabem quando alguém comete um erro, é reeprendido/a, parece que aprendeu a lição mas no fundo não? Assim é, a meu ver, a questão do acordo sobre os modelos de avaliação dos/as professores/as. É um "ver se te avias" que sooa sempre a resoluções de última hora e a propostas com cheirinho a queijo limiano.

Azar (para o ladrão)


Hoje ia ser assaltado, na estação do polo universitário, em plena luz do dia... Se se concretizasse era a terceira vez em 5 anos. Tenho ar de quem gosta de ser roubado?!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Os negadores da catastrófe ecológica


Porque será que acho que a direita tem uma certa tendência para a negação? Primeiro é o Holocausto, depois as questões que rondam a crise climática. Eu até percebo porquê. Não convêm!


A primeira porque seria admitir um erro crasso na desumanidade do conservadorismo reaccionário, a segunda o descalabro que são as politicas capitalistas e imperialistas irresponsavéis com o meio ambiente e com o desenvolvimento sustentável (e andam el@s preocupad@s com as taxas de natalidade, irra!)

Frase da semana


"Os preconceitos são a razão dos imbecis"
Voltaire

domingo, 10 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

"O Arco-íris será o simbolo da nossa República" - Miguel Vale de Almeida, 2009



Intervenção de Miguel Vale de Almeida
Deputado Independente eleito em listas do PS

No início do ano em que se comemora o centenário da República, este Parlamento cumpre hoje um dos mais nobres desígnios da democracia: garantir os direitos individuais e a superação de discriminações injustas. Hoje, este Parlamento, todos e todas nós, temos a oportunidade e a responsabilidade de incluir mais cidadãos e cidadãs, como em tempos fizemos com a abolição de discriminações com base no status e na “raça” ou com base no género. Hoje cabe-nos a responsabilidade e o privilégio de pôr cobro a uma grave discriminação, desta feita com base na orientação sexual, dando assim seguimento à nossa Constituição, que proíbe a discriminação com base nessa categoria e assegura o desenvolvimento da personalidade, de que a sexualidade é uma característica primordial e intrínseca.

Aprovando o acesso ao casamento civil por parte de casais de pessoas do mesmo sexo em igualdade de circunstâncias com os casais de pessoas de sexo diferente, estaremos a trazer mais cidadãos e cidadãs para o pleno usufruto dos seus direitos, sem retirar direitos a outrem e sem alterar a natureza contratual do casamento civil. Estaremos a alargar e a incluir, sem excluir ninguém, e sem criar institutos específicos que, tal como actualmente se configura o casamento civil ou tal como se propõe com casamentos com outro nome, acentuariam a discriminação e o apartheid social entre hetero e homossexuais. Não estaremos a destruir o casamento civil, como alguns dizem, mas a reforçá-lo, como o temos feito desde o seu início (na segunda metade do século XIX), no sentido de maior igualdade entre marido e mulher, da possibilidade do divórcio e da adequação a valores culturais assentes na liberdade de escolha. Avançamos agora para o reconhecimento da igual natureza das relações afectivas e contratuais entre um homem e uma mulher, dois homens, ou duas mulheres.

Por que é o igual acesso ao casamento civil tão importante para a inclusão, para a superação da discriminação, e para a recusa e a censura da homofobia por parte do Estado e da Lei? Porque a experiência individual e social dos gays e das lésbicas – a experiência do insulto, da violência simbólica e física, da exclusão – assenta justamente num aspecto intrínseco da personalidade humana (a sexualidade e, especificamente, a orientação sexual), aspecto esse que ganha saliência social no momento em que a afectividade e os sentimentos levam as pessoas gay e lésbicas – à semelhança dos heterossexuais – à constituição de relações afectivas e conjugais cuja publicitação e vivência livre têm sido impedidas quer pela Lei, quer pelas mentalidades mais retrógradas.

As pessoas de que estamos a falar, as pessoas para quem e em nome de quem estamos a legislar, nasceram numa sociedade largamente homofóbica, à semelhança da experiência terrível do racismo para muitas pessoas negras em várias sociedades, e à semelhança da experiência terrível do sexismo para muitas mulheres. Nasceram para uma sociedade que lhes disse que o seu amor não tinha nome; que o seu destino era obrigatoriamente a heterossexualidade; aprenderam nomes insultuosos para designar o mais íntimo e estruturante das suas personalidades; viram-se obrigadas a viver na vergonha, no silenciamento e na ocultação; em tempos e lugares não muito distantes foram encarceradas, torturadas, submetidas a tratamentos forçados, enviadas para campos de concentração. Ainda hoje e entre nós, temem represálias no emprego, temem o insulto na rua, temem a alienação familiar e das redes de amizade. Essas pessoas não são as figuras estereotipadas de um certo imaginário homofóbico, nem as pessoas que, como eu, tiveram o privilégio e a sorte de poderem falar hoje e aqui, neste dia histórico. Eles e elas são nossos irmãos e irmãs, pais e mães, filhos e filhas, amigos e amigas, vizinhos e vizinhas, colegas de trabalho. São pessoas de todos os níveis sociais, ricas e pobres, do campo e da cidade, jovens e idosas, conservadoras ou liberais – e esperam de nós um gesto de reconhecimento. Mas legislamos a favor da igualdade também em nome de todos e todas nós, cidadãos e cidadãs da República Portuguesa - porque nenhum e nenhuma de nós será livre e poderá em consciência usufruir dos seus direitos enquanto estes forem negados ao seu próximo. E porque o valor de uma democracia se mede pela sua capacidade de proteger as minorias e de recusar qualquer imposição baseada em preconceitos maioritários. Não estaremos a reinventar a sociedade, como não a reinventámos quando abolimos a escravatura ou conquistámos o direito de voto para as mulheres. Estaremos sim, como então, a dar continuidade a um projecto civilizacional. Estaremos a alargar o âmbito dos direitos, a tornar a democracia mais democrática, a melhorar efectivamente as condições de vida de mais cidadãos e cidadãs, a garantir mais liberdade de escolha sem prejudicar a liberdade de outros. Estaremos a assegurar os próprios princípios em que assenta o nosso modelo de sociedade – baseado na democracia, na igualdade e nos direitos humanos.

Mas hoje estaremos – se soubermos cumprir o desígnio mais nobre dum Parlamento democrático – não só a garantir o acesso a direitos que são negados por outras figuras ou pelo impedimento de acesso ao casamento civil. Estaremos a fazer um gesto emancipatório com uma importância simbólica ímpar: o Estado e a Lei estarão a dizer a toda a sociedade que as relações entre casais do mesmo sexo têm a mesma dignidade e merecem o mesmo respeito que as relações entre casais de sexo diferente. Sim, estaremos a dizer isso – e os nossos opositores devem demonstrar que não estão a fazer justamente o contrário. Estaremos a promover uma pedagogia anti-homofóbica na sociedade, dando o exemplo a partir do órgão máximo de representatividade democrática; estaremos activamente a promover a mudança de mentalidades; estaremos a cumprir a nossa função de reconhecimento de uma categoria da nossa cidadania que tem historicamente sido tratada como doente, pecaminosa ou criminosa.

Apelo a todas e a todos vós que não mantenham o casamento como um privilégio, mesmo que de uma maioria. Pensem no jovem ou na jovem homossexual e no seu companheiro ou companheira que, ao contrário dos seus irmãos ou irmãs heterossexuais, não podem aceder aos mesmos direitos; e que à semelhança dos seus irmãos ou irmãs heterossexuais, podem desejar exprimir - através do casamento - o seu afecto, o seu amor, o seu compromisso, os seus projectos comuns de vida. No dia seguinte à efectiva possibilidade de dois homens ou duas mulheres casarem civilmente, se assim o entenderem, respiraremos um ar mais livre, cresceremos como democracia, promoveremos a inclusão e acarinharemos a diversidade na igualdade. Nesse dia, o arco-íris – símbolo da luta dos gays e das lésbicas pela sua dignidade plena - será também um símbolo da nossa República.

Muito obrigado.

Pacheco Pereira - é muito "P" no Nome...


Pacheco Pereira não para de nos surpreender. Depois de afirmar que é contra a adopção de crianças por parte de casais homossexuais porque as lésbicas representam um risco de pederastia (não me vou dar ao trabalho de comentar!), sintomático do desespero da direito com a adopção daqui a 4 anos, foi predonderante ao afirmar que é "contra qualquer forma de engenharia social feita a partir do Estado".

Em suma, Pacheco Pereira é contra o casamento entre pessoas de sexo diferente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Em breve virão muitos outros países, impulsionados por duas forças imparáveis - a liberdade e a igualdade" - Zapatero, 2005




Não há palavras. Fizemos História! Sim, tu e tu e tu. NÓS. Em apenas duas palavras: ORGULHO GAY!

Resposta a Café Odisseia parte II (até sexta tenho tempo...)




Como o Hugo deve saber, só muito recentemente a Humanidade veio a aprender que Ser Livre é ser responsável consigo mesmo e com os outros - mas é, antes de mais nada, Ser Livre. O Direito Penal desses tempos castrava, matava, queimava homens e mulheres por crimes como sodomia, lesbianismo, etc.
Essas acusações conheceram fundamentos racionais. Não culpe a Igreja Católica por existir num mundo de Homens com graves defeitos.
Já Aristóteles considerava a homossexualidade "contra natura", também o considerou Cícero, e muitos outros grandes filósofos e autores (Marx, Lenine, Lutero, Calvino, por exemplo) que mudaram a forma como entendemos o Homem.
Não se esqueça que conhecidos católicos até foram conhecidos por terem relacionamentos homossexuais. Muitos deles ocuparam cargos altos na Idade Média. De Reis a Bispos, passando por Papas.

Contextualização

Não pense que me ilude seguindo por uma lógica gay-friendly do tipo “ai vocês rabetas sempre existiram e eu reconheço isso”.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que a consideração da homossexualidade como uma realidade anti-natural é ilegítima, sobretudo porque quem utiliza esse argumento, claramente o faz no sentido de conspurcar a própria homossexualidade e, logicamente, a percepção que se tem dela. Eu não sei se a própria heterossexualidade é assim tão natural e a homossexualidade assim tao anti-natural, e estamos no prisma de quem considera uma realidade anti-natural algo negativo.

A sexualidade (hetero ou homo) só se constituiu como objecto de estudo da Ciência e, consequentemente, como conceito multireferencial (a sexualidade engloba desejo, afecto, projectos em comum, amizade, companheirismo, experiência de sentidos, etc) nos finais do Séc. XIX, numa altura, em que se estavam a organizar os Estados-Nação e o Estado precisava de (re)conhecer o que tinha no seu território. Conceitos como, por exemplo, o conceito de “povo” deram lugar ao conceito de população, com todas as suas variavéis: taxas de natalidade, taxas de mortalidade, taxas de mortalidade infantil, etc. Foi precisamente nessa altura, com o advento da Revolução Industrial (que, mais tarde, deu lugar ao Capitalismo como hoje nós o conhecemos), que era preciso mais e mais pessoas para trabalhar as máquinas (crianças, inclusive). Ora, por isso mesmo, tinham que se reforçar as taxas de natalidade. Como? Criando um padrão normativo de sexualidade que tivesse como aspecto salientador a repressão aos seus desvios. Não quer dizer que esse modelo (sei que não vai gostar mas) não tivesse existido até então e sido “imposto” pela Igreja, ao longo de toda a Idade Média, mas agora ele passa a ser instaurado num dispositivo chamado sexualidade. O que antes era um acto (homens que têm sexo com mulheres, homens que têm sexo com homens, etc) passa a ser uma estrutura ampla, sujeita a regras, regras essas que se fundamentam na perseguição do seu desvio. Esse modelo vaticinava a heterossexualidade (reprodutoria) dai o tabu à homossexualidade; a monogamia, daí o tabu à poligamia e a exogamia, dai o tabu do incesto. Aprisionado num sistema de repressões, esse modelo era tudo menos natural. Isto é, a sexualidade, ela própria, é uma construção social.
Pegando no exemplo da homossexualidade (tema de discussão), ela é, dos três tabus (legítimos), aquele que so conheceu forte repressão a partir de uma determinada época da História: a instauração do poderio católico e da mentalidade judaica-cristã no governo romano de Constantino.
Como deve saber, a homossexualidade era uma realidade nas sociedades helénicas (Aristóteles que referiu, teve relações homossexuais; os seus desígnios amorosos é que o fizeram retratar o amor homossexual como anti-natural – ver História da Sexualidade I – A Vontade de Saber de Michel Foucault), romanas, sumérias e babilónicas. Mais: uma realidade instituicional/legal. As leis conjecturavam a possibilidade da homossexualidade masculina. Ao contrário do incesto (tal como a dominação masculina sobre a mulher) que sempre foi/é um tabu constante e imemorial e ao contrário da poligamia que é um tabu relativista (os arábes, que penalizam a homossexualidade, não têm muitos problemas com isso), a homossexualidade é um tabu, relativo também, e inscrito no próprio sistema sexo/género. A tríade pecado/crime/doença caracterizou a homossexualidade da IM, de tal forma que a percepção dela como um defeito (como o fez) e não como uma característica é uma constante. Mesmo por pessoas politicamente correctas.

Quando a Scientia Sexualis, nos finais do séc. XIX, começou a estudar “a homossexualidade” (acto universal e amplo – liberdade de escolha), fá-lo para descobrir as causas do “desvio” e, evidentemente repará-lo. Inutilmente. Aí nasce o homossexual (identidade circunscrita e minoritária – condição) e com ele uma categoria nova: o/a heterossexual e “a heterossexualidade” Toda esta explicação para quê? Para lhe dizer que a sexualidade não é natural, é um esquema sujeito a inúmeras represssões que estabelecem um modelo (que convém ao Estado e não à espécie: reprodução) de forma a que tudo pareça “natural” (condição) e não cultural (mutabilidade), quando na verdade as realidades, não só a sexualidade (“o instinto” , por exemplo, maternal, sexual, de sobrevivência, etc) são naturalizadas.

A anti-naturalidade da heterossexualidade

A própria heterossexualidade é uma invenção moderna, um esquema inscrito no nosso corpo (homens = penetradores; mulheres = penetradas), inserida num papel socio-sexual, mas não numa espécie de desejo que já nasce connosco, que existe connosco para perpetuar a espécie (os prórprios gregos não consideram que o desejo heterossexual diferia do homossexual visto que o belo era o elemento despertador do mesmo; não existiam dois desejos).

Aprendemos que o natural é macho e fêmea e dão-nos o exemplo dos animais mas a própria heterossexualidade está sujeita a inibições e configurações sociais: nenhum homem anda paí a fornicar mulheres em plena praça pública como os leões; existem preservativos, pílulas, reprodução medicamente assistida, lingerie, vibradores, outras formas de sexo (oral, anal, espanholadas, bacanais, etc), fantasias, fetiches que se enquandram nesse dispositivo da sexualidade, que é tudo menos natural. A heterossexualidade não é natural!

A naturalidade da homossexualidade

Quando usamos o termo “natural” podemos faze-lo com duas simbologias: referente à Natureza (realidade não modificado pelo ser humano) ou então como adjectivo de algo anormal, desviante, incomum, contra os costumes. Quando nos referimos à homossexualidade nestes termos podemos usar as duas. Mas tanto uma como outra são falaciosas. Porquê? Em primeiro lugar, existem inumeras publicações da biologia que confirmam que milhares de espécies animais têm comportamentos homossexuais (gaivotas, gorilas, hienas, pinguins, etc), a não ser que ache que a Ciência também está enviesada pelo lobby gay (que lobby poderoso! Uma minoria irrisória até influencia @s biolog@s de todo o mundo… Nada como o lobby da ICAR para desconfirmar). Esses comportamentos homossexuais, muitos deles, pressupoem copola anal (!). Porquê é que as espécies o fazem se não há objectivo reprodutivo? As hipoteses são imensas mas não me interessa debruçar-me sobre elas.

A própria reprodução não tem um carácter só heteronormativo; existe reprodução hermafrodita (minhocas), clonagem (morangos), mitose, etc. Em suma, é errado dizer que a homossexualidade é anti-natural partindo do pressuposto que natural se refira a Natureza (animal, vegetal, etc). Por outro lado, se tivermos em conta que o termo “natural” se refere a uma quantidade então seguramente a homossexualidade é um comportamento, apesar de frequente, minoritário. E atenção: minoritário a partir das concepções modernistas de (homo)sexualidade pois a propria definição de homossexualidade exacta e consubstanciada numa identidade é dúbia (ou de heterossexualidade, como quiser).

Dessa forma, a homossexualidade é anormal. Contudo, essa ilação só é válida numa perspectiva inerte/estática porque se observarmos as coisas numa perspectiva tranversal e histórica a homossexualidade passa a ser normal (= natural) pois é transversal a todas as culturas e todas as épocas independentemente de os Estados/Leis a legimitrem, reconhecerem, tolerarem ou reprimirem (@s criminos@s e violadores também mas a homossexualidade, ao contrário dos primeiros exemplos, não pôe em causa a liberdade de ninguém e esse facto é um elemento que perturba a homofobia), de tal forma que o anormal é uma sociedade sem homossexuais. Por outro lado, o termo “desvio” ou “anormal” é usado com a intencionalidade de atacar os próprios homossexuais (como se a homossexualidade fosse algo passivel de escolha ou mudança), mesmo a um nível nosólogico, mas em nada se relacionam com uma moralidade boa ou má. Isto é, o bom não é necessariamente o maioritário (e.g.: os génios) e o mau não necessariamente o minoritário (e.g.: obesos) ou vice versa. Da mesma forma, não tem que existir um padrão normativo absoluto (é normal ter olhos azuis ou castanhos? Na sociedade portuguesa é normal ter olhos castanhos mas também é normal tê-los azuis. É normal ser-se negro ou branco? É normal ser-se branco, numa sociedade francesa, por exemplo, mas também é normal ser-se negro. Relativamente à (hetero/homo) sexualidade a mesmíssima coisa. O problema é que, ao contrário das características inertes e essencialmente biológicas como cor de olhos, cor de pele, sexo, etc, a orientação sexual (encarada estrategicamente mais com um comportamento mas não necessariamente) interfere com as questões da reprodução e, portanto, é politica (para já não falar do facto de haver aqueles debates sobre a origem da homossexualidade; biológico? social?).
Agora encaramos a naturalidade como algo negativo e anti-naturalidade como algo excelso.

Nature sucks (and not in the good way) (?)

É precisamente no espectro heteronormativo do sexo não reprodutivo que a homossexualidade entra: se um homem pode fazer sexo anal com uma mulher porque é que um homem não o pofde fazer com outro homem? Qualquer pessoa, sem um pingo de hipocrisia, reconhece esse facto. Se eu lhe pedir para fazer de gay recorrerendo ao estereótipos voce elabora uma performance. É natural? Não, é montada. Os animais fazem-no? Não. Os animais não tem intelectualidade para desempenharem perfomances nem para consciencilizarem a sexualidade nem para criarem identidades nem para flirtarem com subjectividades. Os seres humanos (heteros ou homo) têm. Aliás, a propria (hetero/ homo) sexualidade pode ser a elaboração de uma identidade não-nosólogica, legitima e baseada numa subjectividade do ser, agir, desempenhar um papel que encontra o seu eco no sistema de sexo/genero, contradiando-a sempre de uma forma inconsciente (porque o sujeito não tem culpa de ser hetero ou homo) e consciente (porque o sujeito reconhece o espectro biologico e psicologizante– um gay conhece os mecanismos da reprodução e um homem hetero reconhece que sexo anal dá prazer -). Esses desvios podem não so se preconizar na orientação sexual: existem homens heterossexuais que gostam de ser dominados pelas parceiras.

Conforma-te com o corpo que tens!

O maior problema dessa identidade é pôr em causa a biologia, em última instância a reprodução e, portanto, desafiar o poder politico e o proprio modelo “naturalizado” da sexualidade, sempre numa perspectiva colectiva (reprodução) que a negativiza versus individual (desejo homossexual) que a enaltece. Dai a sua forte repressão.

Quanto à reprodução a mesmíssima coisa. Ela não está ancorada ao acto heterossexual (pénis + vagina = filh@s). Ela é opcional. A homossexualidade e o desejo de parentalidade arranca a reprodução do jugo da biologia. Transfere-a para o ar. Daí ser perigosa. Ela aparece desgarrada do casamento, da conjungalidade heterossexualizada. Torna-se instável. Não há controlo estatal sobre ela

Exemplo: se um casal (hetero) casa, à partida, terá filh@s (não necessariamente), o Estado reconhece-lhes o casamento e espera um “ovo”. Com os mesmos trâmites (orgão sexual + orgão sexual) os homossexuais não os podem ter. Mas podem ter doutras formas: reprodução medicamente assistida, barrigas de aluguer,etc. E o desejo de parentalidade é tao socialmente construído (e não um instinto) que @s propri@s homossexuais querem ser pais e mães. O problema é que esse desejo é incerto e o Estado não pode esperar “ovos”, ao contrário do casal hetero que controla com o reconhecimento do casamento.

Afirmo aqui que discordo que os movimentos LGBT’s tenham iniciado a luta da cidadania pela questão do casamento (luta muito positivista, por acaso); começando esta questão com a questão da adopção os vossos argumentos não andariam muito longe do perigo de voces incitarem à homofobia social que vincula a homossexualidade à pedofilia e pouco mais.

De resto, não faço qualquer juízo de valor em relação à homossexualidade, nem à heterossexualidade.

Ao não permitir o casamento entre PMS já o está a fazer. Está, implicitamente afirmar que determinadas identidades, identidades essas que não resultam da vontade dos individuos, não podem ser reconhecidas legalmente e portanto, através sistema de punição-recompensa, privilegia os heterossexuais e desvirtua os homossexuais. Resumindo num pensamento: “és hetero, vais ter filh@s, casas; és homo, não os vais ter (com os mesmos tramites da relaçao hetero penis + vagina), não casas, MUDA!”. Acontece que esse sistema só funcionaria se essas identidades fossem contigentes, fruto da escolha espontânea e, portanto, não o são.

Entra aqui o caso do casamento. O casamento é uma instituição pré-estadual, espontânea, que foi adoptada mais tarde pelo Estado como forma oficial de União. Está no seu código genético a dualidade homem/mulher.

Houve uma adaptação à realidade social. Desapareceu a submissão ao marido, acabaram-se os bastardos - mas acabar com a dualidade homem/mulher do casamento seria desfigurar o casamento. Há um rol de detalhes jurídicos ligados a direitos de sucessão, partilha, perfilhação, que separam este instituto de outros tipos de uniões.

O casamento só teve a uma forte simbologia heteronormativa porque na altura em que surgiu assentou numa repressão (aliás, como já referi) aos homossexuais. Algo do género: reprimamos os homossexuais e damos um presente (o casamento) aos heterossexuais.

As sociedades greco-romanas anteviam alianças homossexuais. É um facto que o casamento grego só previa uma dualidade heteronormativa mas então porque é que as sociedades modernas nunca deram aos homossexuais o equivalente às alianças gregas? Porque os homossexuais estiveram compelidos a uma criminalização.

Discordo em absoluto que o casamento seja espontâneo. Não o é. Ele faz parte de um dispositivo da sexualidade promovido pelo próprio Estado. Espontâneo seriam, por exemplo, as alianças homossexuais que o Estado nunca reconheceu.

O casamento é uma tomada de responsabilidade que é dada à escolha do cidadão. Os termos desta decisão estão formalizados há muito tempo, pelos usos e costumes dos Povos.

Parece que não entendeu! O facto de uma realidade ter sido “validada” pelos usos/costumes por um povo não quer dizer que não seja passível de alteração. É-o. Aliás, como você próprio o refere. Não é uma alteração radical pois continua o vínculo heteronormativo do casamento. Seria radical se eliminássemos o casamento entre PSD e “legalizássemos” apenas o casamento entre PMS. O problema que você coloca já o entendi: o alargamento do conceito de casamento a uma realidade diametralmente diferente (até que ponto?) como a homossexualidade pressuporia o casamento polígamo, por exemplo, pois o eixo organizativo do casamento passaria a ser os afectos. Que o seja. Porque não? O problema (como já leu no meu poste sobre as diferenças entre ambos) é que não existe uma reivindicação social nesse sentido. É uma possibilidade? É. Mas vai de encontro ao argumento que invoca sobre a pretensa mais-valia da heterossexualidade reprodutiva (que a difere da homossexualidade “enquadrada” num contexto monogâmico não-externo) e das maiores possibilidades reprodutivas da poligamia. Isso ainda não o vi a rebater. E por isso tenho quatro perguntas para lhe fazer:


- Se duas pessoas de sexo diferente podem casar porque é que três pessoas não o podem (por exemplo, um homem e duas mulheres)?

- Alarga-se o casamento a casais do mesmo sexo. O que poderá de pior ocorrer com isso? (não invoque o argumento da poligamia pois a sua “aversão” é, a meu ver, relativa – relativa de relatividade não de relativismo)

« (…) desinstitucionalização do casamento, de forma a desproteger as pessoas, a descredibilizar os contratos pessoais.»

- Desproteger pessoas?

Afirmou que não têm nenhum ódio homofóbico mas reconhece que os casais do mesmo sexo tenham as mesmas possibilidades. Indirectamente reconhece-lhes todos os direitos implícitos no casamento (aquela parvoeira sobre os direitos serem para o feto não merece resposta). A minha questão é: porque é que não se chama o mesmo nome?! Para não desvirtuar um conceito?
De um lado há a preservação de um conceito, do outro, existem vidas reais. Pessoas que morrem e um/a d@s parceir@s fica sem nada, pessoas impossibilitad@s de verem @ parceir@ ao hospital, etc. Entre um conceito e vidas reais venha o diabo e escolha. E não são meia dúzia. São um milhão. Em Portugal. Por exemplo, nos EUA, o número é equivalente à população portuguesa toda. É exactamente por ser uma minoria numerosa o suficiente para contestar que fomos perseguidos.

- Ainda não me respondeu: considera o paradigma heteronormativo de Adão e Eva correcto visto que ele pressupõe o incesto?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Resposta a Café Odisseia

Caro/a Café Odisseia,

A resposta ao seu comentário deixado no meu blogue. As minhas respostas encontram-se intercaladas com as suas premissas, mjuitas delas, falácias.

Os conteúdos no seu blogue parecem muito aversos a algumas instituições como a ICAR, e a algumas pessoas como os reaccionários. Penso que há grande injustiça nesses argumentos.

Não há nenhuma injustiça em ter posições pessoais sobre determinados assuntos ou instituições e emiti-las. Não sei se sabia, a liberdade de expressao é algo que está implicita (e explicita) na sua Constituição (minha não deve ser de certeza porque ainda não tenho plenos direitos). Assim como a sua opinião pessoal reaccionária sobre a propria homossexualidade que faz questão de emitir. Não vejo qualquer discrepancia de ambas as partes, parece-me sensato. Parece-me sensato ainda que o proprio tabu da homossexualidade fora promovido pela ICAR ao longo de toda a Idade Média onde milhões de homossexuais morreram nas fogueiras inquisitoriais. Acho insensato, por isso, rotular o “suposto lobby gay” com as mesmas terminologias que o movimento LGBT utilizou para usufruir de uma plena cidadania. Meter a homofobia (que afecta a liberdade d@s outr@s) no mesmo saco que a homossexualidade (que não afecta a liberdade de ninguem), isso sim, é realmente fascizóide.

Primeiro, porque a ICAR adopta muitas vezes posições progressistas em relação a medidas sociais e até políticas.

Acredito. Olhe o caso do aborto, do uso do preservativo, da igualdade de género. Acredito que o lobby católico (está a ver eu a pegar na mesma terminologia que o/a Sr(a) utiliza para lobby gay?) esteja a propragar-se pelas faculdades para intoxicar os principios neutrais e modernistas da Ciência (!).

Nesta questão adoptou uma posição que me parece correcta, de preservar o carácter de um instituto jurídico. Já escrevi sobre isto noutro sítio, aponto-lhe o link para que possa ver, com mais atenção, os meus argumentos.

Agora, comentando o seu texto:

É, de facto, populacho confundir homossexualidade com pedofilia. Um adulto pode agir de acordo com as suas inclinações sexuais que a sociedade só pode ter isso em conta como algo da sua responsabilidade. Obviamente, uma criança merece uma protecção especial. Por isso é que já antes de nascer se protege os direitos das crianças (os direitos dos nascituros, para ser mais correcto). Ou pelo menos costumava ser essa a forma de pensar das nossas leis. Agora já não sei.

Não estamos assim tanto de desacordo nesta questão. Traduzo a última expressão com um certo laivo de sarcasmo. Penso que as leis tenham um carácter provisório e que os conceitos sejam volutáveis; presume-se que reflictam a realidade social. A não ser que ache a nossa Constituição continue exactamente igual à anterior de 1974.

Quanto à zoofilia, parece-me também uma conduta ofensiva, capaz de lesar os animais. Não me parece que legalizar o casamento entre um homem e uma cabra é algo a levar a sério.

De absoluto acordo.

O erro do seu casamento é pensar que os institutos jurídicos são como a Lux, estão lá para se divertir por um pouco. No casamento não se regula o amor nem a orientação sexual. O próprio Tribunal Constitucional já considerou que não há nenhuma violação do princípio da igualdade.

O erro da sua metáfora irónica é claramente um erro de estereotipia de achar que tod@s os homossexuais vão à Lux. Os institutos juridicos pressupõem a adequação a realidades sociais, como por exemplo, a existência de familias homoparentais; o Estado e as suas leis não tem poder prescritivo (a não ser em questões em que as matérias tenham a ver com a interfência na liberdade d@ outr@: crimes, assaltos, violações, pedofilia, o que não acontece com o casamento/adopção). Um Estado democrático não é um Estado nazi. Aí reside a diferença de como as diferentes ideologias interpretam o papel do Estado. É provável que argumente que o divórcio, a adopção, a própria homossexualidade, etc, sejam realidades externas não deliberamente pensadas no decorrer de algumas instituições. E aqui está o erro! Poderia usar o mesmo argumento para o caso dos homicidios pois estes também não se encontram previstos na lei (estão enquadrados juridicamente/legalmente mas fogem à norma social) e, portanto, enquanto realidades a lei têm que reconhecer.

No entanto, se há um grupo de interesse que pretende perverter esse instituto, com os seus objectivos e a sua agenda política, não se pode perverter também o sentido da lei.

Grupos de interesse existem vários. O lobby d@s professor@s, o lobby católico, o lobby homofóbico, o lobby de extrema-direita, o lobby dos moralistas. Por outro lado, não vejo nenhum mal o Estado reconhecer a homossexualidade. Repito: é uma realidade. Ou será que o Estado só a reconhece quando a criminaliza? Incoerências…

Até agora, o casamento estava entregue a uma definição, a união entre um homem e uma mulher. Não há uma menção a homo ou heterossexualidade.

Contudo, os homens e as mulheres tem diferentes orientações sexuais. Penso que saiba isso não? Queria ve-lo(a) a usar esse argumento na penalização da homossexualidade. Os seus argumentos são claramente oportunistas. Também não acho que o Estado deva proibir a discriminaçao religiosa mas sim ser absolutamente LAICO (do you know what it means?)

Agora que se cria um clube jurídico para os homossexuais (isso sim uma discriminação) é preciso reanalisar as coisas.

Criou-se um clube juridico para casais heterossexuais (uniões de facto) e ninguém se queixou. Pior, esse clube juridico pressupoe uma hierarquia simbolica. Dentro dos proprios tramites heteronormativos. O mesmo é dizer que existem heterossexuais superiores e heterossexuais inferiores.

Se três adultos desejam unir-se, o amigo Casado de Fresco, do alto da sua concepção de moral (sim, você é que é o moralista, você é que quer transportar uma moral para algo que era moralmente inócuo), bem pode andar por aí a dizer que as senhoras são discriminadas por partilhar o mesmo senhor.
Se três pessoas responsáveis pretendem unir-se, então, a validade para tal é a mesma que a usada para a união de duas pessoas.


Se o casamento pressupoe uma logica de reproduçao biologica (não é esse o principal argumento invocado contra o casamento entre PMS?) e representando a poligamia maiores probalidades de reproduçao não será do interesse dos heterossexuais o alargamento do casamento monogamico para o poligamo? Não será isso que voces tanto pregam? A heterossexualidade pressupoe a poligamia. Mais: pressupoe o incesto. Se segundo o paradigma católico heteronormativo do Adão e da Eva (coitados, sem liberdade de escolha) pressupoe uma reproduçao biologica em grande escala (a existência e expansão da Humanidade) então parece-me lógico que os filhos e as filhas de Adao e Eva tiveram que ter relações sexuais entre si (dai a expressao “irmaos” para designar @s católic@s). Isto é, a heterossexualidade é uma condição logica do incesto. A não ser que ache que o Adao teve relações sexuais com a serpente, o único outro ser disponível. Straight guys can be so nasty…

Só a pura coação bloquista, tão viva no interior dos "movimentos" gay, é que é capaz de considerar que o Estado tem o dever de proibir 3, 4 ou 5 pessoas a fazerem o que quiserem com elas próprias.

Se leu bem o meu texto eu não proibi nem sugeri a proibiçao de nada. Acho um disparate presumir a minha orientação (orientaçao ou opção?) politica só porque eu demonstro ter, na sua percepção, uma visão reaccionaria (!) sobre a ICAR.

Não há razão nenhuma para se abrir o casamento a uns poucos para continuar a fechá-lo a outros poucos

Defende o casamento poligamo? As comparaçoes dos reaccionarios entre o casamento entre PMS e o casamento poligamo são tão apocaliticas que qualquer dia ainda pensam que o que voces querem é mesmo o reconhecimento legal da poligamia. Cuidado! Só mesmo no legitimo das pessoas heterossexuais (embora ache que o Estado não deva legislar, aliás, pegando nas suas próprias palavras) sobre a orientaçao sexual das pessoas, heterossexuais inclusive.

“Ah e tal, a reprodução…”

A reproduçao é um meio autonomo. Pressupoe, não a existencia de homens ou mulheres (numa perspectiva heterossexualidade de junçao entre penis e vagina) mas de espermatozoides (esses seres, a maio caminho de serem a vida sobre o formato de feto [???] e ovulos). Não será, pelo meio que defende, as mulheres entao as únicas legisladas pela lei já que é delas (e do corpo delas) que decorre a reprodução? Não serão os homens um empecilho estatal?

Contudo, gostava de ve-lo a rebater o argumento do incesto. É que nenhum/a heterossexual ainda me soube explicar… lá está, direito!

A heterossexualidade pressupõe o incesto para se fundamentar enquanto estrutura reprodutiva original

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sebastião Salgado - Genesis


Sebastião Salgado é considerado um mestre na arte da fotografia. As suas obras, normalmente, reflectem lugares que nunca tinham sido explorados pelo ser humano. A densidade da imagem é tão forte que parece que as fotografias tem uma origem extra-terrestre. Todas elas com uma tonalidade cinza, fomentam o sentido urgente de intervenção camuflado na sua obra, basta lembrar que já trabalhou para a UNICEF. O seu site oficial ainda está em construção mas eu deixo aqui este.

Disse a Raposa: "Estão verdes. . . já vi que são azedas, duras. . ."



"Estão a tentar destruir-me" Elsa Raposo, Nova Gente

Oh querida, não é preciso, tu fazes isso por ti mesma!

Procuro a Maddie... Não é a Maddie, Maddie; é a Maddie

"(...) sexo por prazer, não sexo por sexo (...)"

(não nos responsabilizamos por eventuais danos se clicar no link diponibilizado de seguida, fonte desta peróla tão elucidativa como "estar vivo é o contrário de estar morto") http://gaydar.pt/pegomo

domingo, 3 de janeiro de 2010

Let me hear your body talk

E pronto. Oficialmente as festividades natalícias (pagãs, pois claro) findaram. Agora é altura para fazer as contas aos prejuízos, que é como quem diz, malhar pensando no próximo Verão. Olivia Newton-John dá uma ajudinha. A gente aceita com uma condição: não temos que vestir os mini-calções rosa pois não?



Frase da semana



A beleza é uma carta de recomendação a curto prazo - Lenclos, Ninon

23 - A conta que Deuz fez (prova do crime)


sábado, 2 de janeiro de 2010

A Inquisição fez parte da revolução civilizacional?



É necessário "uma profunda revolução civilizacional" - D. José Policarpo

É errado pensar-se que a ICAR e os homossexuais estão sempre em desacordo. Eis uma afirmação em que estamos tod@s de acordo. De facto, é preciso uma profunda revolução civilizacional...

... e essa revolução passa pelo reconhecimento legal das pessoas homossexuais, assim como das suas relações, que sempre existiram, existem e, presume-se, sempre existirão. Dessa forma, os homossexuais fazem parte da civilização, e se essa civilização tiver como referência ideológica a democracia (como na maior parte das sociedades ocidentais, não necessariamente mas genericamente, consideradas "desenvolvidas"), então não é justo que esse reconhecimento legal seja desvirtuoso em relação ao seu homológo heterossexual pois um dos princípios basilares da democracia é a igualdade. A não ser que a civilização a que D. José Policarpo se refira seja de cariz teocrático e fascista.

Aí estamos profundamente, revolucionariamente e civilizacionalmente de desacordo.

Ficamos tod@s speechless

Imperdível. GaGa fica speechless e, mais uma vez, prova ser aquilo que a distingue das Britneys deste mundo: têm voz para cantar e playbacks não são para ela. Quem canta assim não é GaGa!

23 - A conta que Deuz fez


Fazer anos sucks. E não da melhor forma. Não, não vou começar o texto com a típica crise existencial de quem têm menos um ano de vida...

BUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH (snif snif - choro)

Fazer anos realmente sucks. São os/as amigos/as (especialmente as amigas; as mulheres têm um prazer especial em fazerem-no), os/as familiares, os/as colegas, os/as desconhecidos/as do hi5, do facebook e de outras mil e uma redes sociais por inventar que aderem a um movimento social, que podia ter perfeitamente o nome sui generis, de vamos-lembrar-o-Hugo-que-é-um-velho-caquético-e-que-a-incontinência-é-uma-inevitibilidade ahahahah (o ahahahah também faz parte do nome do movimento).
Nada abona a meu favor. Nem o número. 23. Quem é que faz 23? 23 é um número feio. É um número cujo algarismos são a progressão, um do outro, como 12, 23, 34, 45, etc. Para me lembrar que as plásticas serão, um dia destes, uma das possíveis aplicações do meu dinheirinho, a placa dentrífica será um dos meus grandes objectivos de vida e andar de transportes públicos será uma experiência tão ou mais agradável do que uma viagem, com estadia paga, à Suiça pela Reinar. Ainda bem que o Alzeihmer me espera: sempre me vou esquecendo como é doloroso fazer anos. Diriam alguns/algumas: "que exagero!" É sempre um exagero sentir o pânico de nos aproximarmos do dia D. GRRR.

18 é o auge, 19 é um misto de acne e de alguma sensatez, 20 é o inicio do fim (a entrada na casa cujo algarismo da esquerda é um "2"), 21 até uma idade sexy, 22 foi (notem a utilização do verbo ser no passado: foi) uma idade egocêntrica e estranha e 23... bem, 23 é... é... a ponte para os 24, a idade limitrofe da actividade sexual de um homem gay urbano classe média baixa: "Procuro homem até aos 24".
That's the point. É exactamente isso que mais me preocupa. A minha actividade sexual tem cessado drasticamente desde dos meus 20, o que me leva a crer que ela é inversamente proporcional à idade. Bingo Hugo, descobriste a pólvora. Substituir um preservativo pelo bricolage é como ser dono de uma multinacional e passar a arrumar carros no Parque da Cidade. 23, 23, a conta que Deus fez e destina a todos os seres humanos (os mais felizardos - ou não). Fuck, sou ateu...

Existem três coisas que os homens gays adoram (e sim, aqui dou-me ao luxo de generalizar; tenho idade para o fazer): Madonna (ou numa variante mais pós-moderna, Lady GaGa), fellatios (não, não deriva etimologicamente de "falar" embora envolva bocas) e culto céltico à beleza física (cremezinho, ginásiozinho, roupinha de marquinha, etczinha). Se a idade é também inversamente proporcional à beleza física, tal como o é em relação à actividade sexual, estou perdido. Terrivelmente perdido. Se o meu apelido fosse Clonney ainda me dava ao privilégio de ser comparado com um cálice de vinho de Porto, assim não. O máximo a que me podem comparar é a um balde de cerveja (e a barriga colossal que deriva do seu consumo excessivo).

A parte séria: Não há nada que me chateie mais do que crescer. Crescer por fora. Contudo, a terrível sensação de crescer por fora e não por dentro é mais aterrorizante. E mais aterrorizante ainda é a sensação que cada soprar de velas se vai tornando irrelevante como se fazer anos fosse tão comum como acordar todos dias. E é. É de acordar todos os dias que estamos aqui a falar. Acordar com os olhos e com o corpo mas sobretudo, com a sensação, intencional é certo, de dever crescer por dentro e ao crescermos por dentro torna-se cada mais irrelevante fazer anos. Melhor, todos os dias são o meu (nosso?) aniversário. Acordar é parte do processo. Acordar. Sempre! Até que cheguemos ao dia em que os nossos olhos se fecham eternamente e o nosso espírito possa finalmente, de uma vez por todas, soprar as velas com toda a força.