quinta-feira, 28 de julho de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Loca, loca, loca
Sujeito x usava chupeta. Eliminado!
As palavras que gostaria de ter dito

«Do mesmo modo, reduzir o duplo atentado de sexta-feira a um acto de um alucinado é esvaziar a importância das motivações políticas de Anders Breivik. Mas é isso que estamos a ouvir diariamente: Anders é um louco solitário, e o facto de ter ligações à extrema-direita é apenas um pormenor. É um caso previsível de double standards: a loucura nunca é a causa primária para atentados perpetrados por terroristas islâmicos. Porquê? Porque um acto de loucura é um acto solitário; e sendo um acto solitário, é uma excepção, não nos vincula, enquanto sociedade, ao indivíduo que o pratica. Enquanto que um atentado terrorista, despojado da insanidade solitária do atirador que mata dezenas, vincula toda uma cultura. Excluímos os nossos loucos, diferenciamo-los do resto da sociedade, afirmando: "nós não somos assim, isto é uma excepção". Mas vinculamos milhões de muçulmanos à violência praticada por uma minoria (de loucos de Deus). De que lado está o "preconceito antropológico ocidental"?»
Sexismo ao volante, perigo constante II

Cinco sauditas presas por conduzirem um carro. A polícia tinha sido alertada por um cidadão que disse ter visto “uma mulher sem véu islâmico a conduzir um carro”.
Malta conservadora

É inacreditável pensar que no séc. XXI um país da UE (ilha? ok) ainda não tenha incluído no mecanismo jurídico-legal o direito ao divórcio e só agora é que o incluí. Depois da notícia da lei que não permite as mulheres conduzirem sem a preseça de um homem ao lado, pensei que nada me chocava tanto. O conservadorismo choca-me; mesmo no séc. XXI.
Harry Potter and The Deadly Hallows - Part 2
Assisti hoje. A saga de Potter poderia ter sido toda assim, cheia de acção, nerá? Agora que estava a começar a gostar da saga, ela acaba. Ou talvez não. A verdade é que o filme já arrecadou 7 biliões de dólares, mesmo tendo sido ultrapassado pelas incursões - nem sempre bem sucedidas ou então pimpadas - de Hollywood num Universo Marvel ("Capitão América"). Seja como for, rest in peace, Harry.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Frase da Semana
Será agir mal?

«Segundo diz o seu advogado, o autor confesso dos ataques considera que não agiu mal. "No espirito dele, ele acha que não fez nada de repreensível", disse Geir Lippestad a cadeia de televisão NRK.» Que tal meia dúzia de tiros na cabeça do gajo? Nada de repreensível.
domingo, 24 de julho de 2011
sábado, 23 de julho de 2011
Amy Winehouse (1983 - 2011)
Back To Black - RIP Amy Winehouse (1983-2011) por M12Prod
O perigo entre nós. Amén

Afinal não se trata de um fundamentalista islâmico mas sim de um fundamentalista cristão. E esta, hein?
Este episódio demonstra duas ideias fortes. A primeira refere-se a um preconceito contra pessoas arábes; de facto, actos terroristas só poderiam vir de fundamentalistas iislâmicos. Tal ideia é, concerteza, uma estratégia ideológica atentória à ideia de uma Europa intercultural.
A segunda, mais complexa, refere-se simultaneamente à noção de que os inimigos podem estar entre nós. Quem diria que aquele jovem pudesse cometer tal acto? Ainda por cima cristão? E refere-se ainda aos próprios fundamentalismos cristãos/católicos/evangélicos que, nos últimos tempos, tem assumido porpoções bárbaras (i.e., perseguição a homossexuais no Brasil ou Uganda), pondo em risco a segurança pública e, portanto, obriga o Estado a tomar providências no sentido de... "refrear os ânimos".
Amália nasceu a 23 de Julho de 1920
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Um desvio colossal entre "desvio" e "colossal"

No discurso de Passos Coelho (ou no meu linguajar, Steps Rabbit) a distância entre "desvio" e "colossal" é... colossal. Resta saber: quem fez esse desvio?
Aberração
É preciso ter "Oslo" para a coisa

Vá, agora já podem culpabilizar os árabes e iniciar uma nova Guerra Santa. É o que é preciso em tempos de crise: mobilização do armamento.
Visto no facebook
A Católica vai nua

Quem pensou que o neoliberalismo não traria consigo os símbolos mais patéticos do neoconservadorismo que se engane. De facto, esta ligação antinatura (como diria o professor António Magalhães) é evidente e sistemática. Ao ler esta notícia pensei que os/as alunos da Católica teriam que andar com os sapatos "Prada" do Papa ou todos/as de batina ou hábito de freira...
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Paradoxo
terça-feira, 19 de julho de 2011
Mandela Day
As dentadas estão de volta
Finalmente! Vou assistir a primeiro episódio da 4ª temporada de uma das melhores séries da última década! Cuidado com o pescoço! :=
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Frase da Semana
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Não há bateria que aguente...
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Edge of Glory
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Beauty is in the eye of the cinical
terça-feira, 12 de julho de 2011
Outra conquista: NY!

Nem dei os parabéns ao Estado de Nova York. Talvez por admiração; afinal de contas, um dos Estados mais gays do mundo e só agora legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo... Mas como diz o ditado, antes tarde do que nunca.
Não acredito em milagres mas...
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Oh Oh f***-se!
Playlist de Junho/Julho
1. Adele - Someone Like You
Adele começou por ser uma tímida e bonita garota, apanhada pela onda jazzie inaugurada por Amy Winehouse ou Duffy e transformou-se, de repente, numa divã de palmo e meio. O mega-hit «Rolling in Deep» catapultou-a para o centro nevrálgico da fama e «Someone Like you», uma balada pegajosa, com laivos de realismo sincero, ajudou-a a não descer de lá. Adele, não há ninguém como tu.
2. Bob Sinclair - Far L’Ámore (ft. Rafaella Carra)
Se nunca tivesse existido uma canção que fez 8e faz) furor nas discotecas, bares e afins, chamada “Papamericano”, rebuscando o som vintage e remistura-lo com uma batida e ritmo italiano, Bob Sinclair seria pioneiro. Mesmo assim – e apesar de a canção estar muito bem produzida e conseguida -, destaque para o glamour exorbitante do clipe.
3. Austra - Lose It
Desde dos rasgos de genialidade de Robyn ou Royksoop que a pop indie não conhecia canção que pudesse, simultaneamente, servir os intentos mainstream e representar uma alternativa ao exaustivo “euro-hop”. Curiosidade: também vêm da zona norte do Globo (Islândia).
4. Soraya - Live Your Dreams (ft. Antoine Clamaran)
Nada de muito novo no lado house da força. Nada que realmente Sophie Ellis-Bextor ou a novata LIttle Boots tenham já experimentado ou feito. Contudo, não fica mal ter esta malha no nosso mp3.
5. Ludenczio - Vem Dançar Kuduro (ft. Big Ali)
Quando fui a Barcelona, agora neste Verão, esta música fazia furor e consta que em França também. É sempre bom saber que o português cantado – mesmo o kuduro – faz sucesso em países estrangeiros. Afinal de contas, o raio da música é contagiante.
6. Tim Berg - Seek Bromance
Já é antiga e já se tornou um hit incontornável das pistas. A good, good bromance.
7. Black Eyed Peas - Don't Stop The Party
O “euro-hop” tem nos BEP os seus principais mentores. «Don’t Stop The Party» é pois uma das milhentas canções com as quais o grupo tenta conquistar o mundo, mas quem não reconhece o erro de “virar o disco e tocar o mesmo” está destinado ao insucesso. Não é altura de parar (ou pelo menos, mudar) a festa?
8. Swedish House Mafia - Save The World
Outro hit house do grupo-maravilha quem, na estreia, consegue juntar uma constelação de estrelas (Pitbull, Pharell Williams). Sebastian Ingrosso, da comandita, estará no Nova Era Beach Party. Para salvar Leça.
9. Shakira- Rabiosa
Ela é louca, é rabiosa. A mulher é tudo e mais alguma coisa. Meter no mesmo saco uma guacamole, um turbante, agitar e dar ao pessoal, Shakira é exímia. Não é estranho pois que “Rabiosa” ganhe o estatuto de musica do mundo (tal como a “Waka, waka”).
10. Lady GaGa – Edge of Glory
“Edge of Glory”, terceira amostra de “Born This Way” – o sempre difícil segundo álbum -, é um irmão bastardo no meio de faixas de electro-pop pesado com laivos de rock plastificado, o que não invalida de ser uma música genial num outro contexto (GaGa teve a coragem de recolocar o saxo na house). Peca é pelo clipe: Estará GaGa – que mais parece uma prostituta de rua - a imitar a Wanda Stuart? A canção, que vangloria a glória, merecia melhor
11. Take That - Love Love
A mesma atitude viril de uns Muse ou The Editors, o pop sintetizado de Depeche Mode a Pet Shop Boys e o apelo – flagelante mas francamente irónico – ao mulherio (and else) que caracteriza o fenómeno nineties das boys band. Como cereja em cima do bolo, a ode ao amor travestido de sexo. Ou será mais o contrário?
12. Maroon 5 ft. C. Aguilera – Moves Like a Jugger
A linha de duetos com as princesas da pop continua (a primeira foi Rihanna). Maroon 5 são espertinhos e a sua onda beach house e sejamos sinceros, a frondosa e framigerada Aguilera (“Bionic” foi um flop e “Burlesque” um atestado de má representação) soa bem. Malabarista.
Outras canções:
Sugababes - Get sexy
Britney Spears - I Wanna Go
Mastiksol ft. Buraka Som Sistema - Sambalo
Robyn - Call Your Girlfriend
Justice - Civilization
Coldplay - Every Tear is a Waterfall
Eminem - A Kiss
Rihanna - California King Bed
Katy Perry - Last Friday
Mylene Farmer - Lonely Lisa
Bruno Mars - Grenade
Snopp Dog - Sweat (ft. David Guetta)
Frase da Semana
domingo, 10 de julho de 2011
A Moody's para o caixote
Fiquei indeciso entre colocar a tag "Humor" ou "Arte". Mas como dizem que a arte pode ser um lixo...
Duncan James
sábado, 9 de julho de 2011
A marcha

Desde pequeno que, tal como certamente vocês – gays ou não -, tenho uma imagem das marchas LGBT como um festival de exuberâncias, uma promiscuidade sexual em tom de parada, um degredo exibicionista, ou isto tudo ao mesmo tempo.
Esta ideia, que eu tenho (ou melhor, tive) e certamente vocês tem, não é inocente nem espontânea; ela é fruto de uma estrutura sócio-cognitiva, construída tacitamente por um conjunto de dispositivos (como por exemplo, o poder político ou os media) e transmitida aos/às heterossexuais que por sua vez transmitem a gays (ou vice-versa) no sentido da abjecção dos “prides”. Na verdade, como se pode ter uma ideia assertiva sobre algo em que não se está inserido?
Importa interrogar: porque essa aversão? Porque é que, um conjunto de cidadãos e cidadãs, exigindo igualdade de direitos e usufruindo da sua liberdade de reunião e/ou expressão (como os/as católicos/as aquando da vinda do Papa, os skinheads nas suas “white pride”, os/as trabalhadores/as reivindicando melhores salários) suscita tanta aversão e ate mesmo ódio?
Ora, tal como muitos de vós, gays, eu também cresci numa sociedade que discrimina os gays de várias formas. As mais directas e senso-comunizadas traduzem-se no insulto e na agressão (culminando em casos extremos em perseguição e morte); as mais implícitas e simbólicas – isto é, as mais difíceis de provar ou combater – incluem, entre muitas coisas, a heteronormatividade. Passo a explicar:
É uma inevitabilidade, até histórica (vamos assumir esse “facto” nestes termos essencialistas), que os homossexuais são estatisticamente uma minoria. Esse “facto” produz uma sensação de solidão que acompanha os gays desde tenra idade após a percepção da sua identidade. Não basta haver um estigma (inclusive legal) e ser-se minoria, ainda temos que nos sentir sós. Pior, essa solidão é acompanhada de falta de referências legitimadas (figuras públicas, políticas, etc) que, nos últimos anos, tem sido culminada mas não invalida de os gays se sentirem desacompanhados.
De facto, um negro nasce numa família negra; uma mulher tem, à partida, mulheres na família, contudo, um gay, a somar a todo o discurso de “antonomização” “anti-familia”, nasce numa família onde é muito provável que a esmagadora das pessoas seja heterossexual, e homofóbica. Ou seja, nem a própria família é, grosso modo, um elo seguro; mesmo quando aceita, aceita sobre determinados parâmetros que não encontram eco nos homólogos heterossexuais.
A somar a toda esta situação existe uma visibilidade acrescida (tácita ou não) da heterossexualidade, isto é, uma “promoção” heterossexual. Das discotecas às danças de salão, do cinema ao facebook, há uma tentativa subtil de inculcação da heterossexualidade e até os próprios gays contribuem para tal (um simples mas bom exemplo: as fotografias de beijos heteros a amigas no facebook).
De facto, percebe-se pois que um dos graves problemas que os gays tenham que enfrentar é a falta de visibilidade.
Assim, a visibilidade é tanta que a Igreja, numa altura em que a homossexualidade era um crime, queimava os processos por sodomia precisamente para invisibilizar a própria homossexualidade. Na melhor das hipóteses, diz-se, às vezes com as melhores das intenções, que “ninguém precisa de saber que és gay” ou “o que fazes, faz dentro de quatro paredes”. Imaginem dizer isto a heterossexuais…
Ora, se o problema é a falta de visibilidade, o que representam as marchas? Visibilidade. É uma visibilidade frágil? Claro que sim; a representatividade da diversidade LGBT, apesar de significativa, não se resume ou se esgota na marcha, mas certamente é relevante num contexto estrutural de opressão.
Quando alguém critica as marchas, nos termos que coloquei logo no início do texto, fere a visibilidade, quer ocultar os homossexuais, criar um estigma que funcione como uma forma de auto-exclusão e marginalização (um pouco como aparecer num telejornal a prestar depoimentos de cara tapada e voz distorcida).
Quem critica, desconhece que na marcha vão, por exemplo, heterossexuais (homens e mulheres), familiares de homossexuais (mães, pais, filhos até), etc. O discurso da “pluma”, que a própria homofobia e sexismo da “comunidade” LGBT contribui para ostracizar, perde o seu valor a partir da percepção da diversidade da marcha, mesmo que a argumentação homofóbica assente mais numa conveniência do que num facto (“nós sabemos que assim é mas como somos rabugentos e teimosos queremos espalhar o ódio contra vocês na mesma”).
Quem critica as marchas gay tem que criticar as marchas feministas, as marchas do black pride, as marchas pacifistas, ecologistas, da legalização da marijuana, dos/as vegetarianos/as ou da luta contra o cancro. Tem que criticar as marchas anti-gay do Uganda à Europa do Leste, com a certeza de que uma marcha gay, ao contrário da marcha anti-gay, não interfere ou influencia ninguém; não proíbe ninguém de ser o que quer que seja; não incita ao ódio.
A marcha, tendo o seu início histórico nos motins de Stonewall em 1969 nos EUA, representam a luta contra a opressão da homofobia, o poder público – ainda hoje nas mãos do patriarcado – de afirmar “eu sou gay, e gosto!”. Será uma forma de exibicionismo? Se os gays querem igualdade e já que não existem marchas hetero, porque é que os gays tem essa necessidade? Tem vindo a argumentar nesse sentido. De facto, o que é os/as heteros reivindicariam? Serão eles/as oprimidos/as? Não podem adoptar, casar? É – ou alguma vez foi – crime ou doença ou pecado ser-se heterossexual? São expulsos de casa ou do emprego por serem heterossexuais? Que insultos lhe dirigem? Uma marcha “hetero”, Isso sim, seria show off; já basta os comentários de assédio e autocontemplação das conquistas masculinas.
Eu hoje não vou à marcha, por conta da minha personalidade dependente (não irei sozinho) mas qualquer crítica – seja de heteros ou gays - às marchas é uma crítica sem sentido, sintoma de um desconhecimento e desinformação totais e perniciosos. Qualquer e toda a crítica às marchas são um atentado à visibilidade gay e, de modo mais incisivo, aos próprios gays. Na verdade, quando os gays marcham, a homofobia não marcha.
P.S. Quando falo em gays, falo de uma forma mais abrangente de lésbicas, bissexuais ou transexuais.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Tiros nos pés
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Barcelona

Barcelona é uma cidade fantástica. Estas mini-férias de três dias bem podem valer por umas de 2 semanas.
Começando do início: Eu e o Vasco ficamos hospedados no “Hotel Condestable”, centro nevrálgico da cidade, tendo uma paragem de metro do outro lado da rua. Os quartos eram agradáveis e os funcionários bastante afáveis. Ao contrário das nossas expectativas, os quartos estavam asseados, as paredes não tinham tantas rachas quanto isso e a TV funcionava. Melhor só se tivéssemos uma janela para a rua.
A nossa viagem, apesar de começar mal (não havia telebanco no aeroporto e tinha-me esquecido do pin do telemóvel), lá se endireitou. Ou desorientou. O primeiro sítio a visitar foi a famosa praça da Catalunha. Aí já se poderia vislumbrar uma amostra do multiculturalismo vibrante que nos reserva: as ruas estavam sobrelotadas de gentes, turistas e “nativos”. Visitamos o simbólico Café Zurich e saímos logo porque ninguém nos atendeu.
Daí fomos direitinhos às Ramblas, uma rua gigante que se estende até à Marina de Barcelona, ladeadas por duas ruas e árvores frondosas e onde se regista um afluente de pessoas de todas as cores, feitios e formatos: negros, árabes, casais gays de mãos dadas, asiáticos, mexicanos, ricos, pobres, enfim, qualquer ideia que tenhamos sobre diversidade cultural, as Ramblas superam.
Do lado esquerdo poderíamos ver o famoso quadro de Brunos (que desilusão!) ou almoçar no MacDonalds; do lado direito supermercados, o Palácio da la Virreina, o estonteante Mercado da Boqueria, sex-shops a paredes meias com casas de conveniência enquanto nos regozijávamos com os homens estátuas, as mini-lembranças das barraquinhas e uma variedade enorme de produtos.
Chegados à Marina, atravessando a avenida do monumento de Colom, acercamos finalmente a parte marítima e o trajecto para a Barceloneta fez-se acompanhar com uma apreciação, por sinal bastante positiva, dos homens espanhóis, desde surfistas estereotipados (jovens, morenos, loirões) e skaters, até os clássicos trintões charmosos, retirados de um filme da Men at Play. Primeira observação: os calções acima do joelho fazem furor em Espanha e a mota é um objecto essencial. Toda a gente tem uma, independentemente da classe social. Compreende-se, numa cidade com um tráfego brutal. Talvez seja por isso que haja estradas próprias para bicicletas e os biciclistas fiquem tão chateados quando nos atravessamos à frente.
A praia da Barceloneta é, em alguns sítios, um pouco suja. Contudo, a água do Mediterrâneo é límpida havendo memo uma zona onde a agua só chega à cintura num perímetro de 10 metros.
Para descansar, a praia não compensa. Alem de sobrelotada, a afluência de vendedores marroquinos ou mexicanos a venderem bebidas ou a “oferecerem” massagens é brutal. Aconselho vivamente um passeio pela berma da água até ao Porto Olímpico, e assim o fizemos acabando por lanchar no Mac.
Depois de um momento de perdição (quer por causa dos homens espanhóis, quer por não sabermos onde ficava o Parque de la Ciutadella), lá nos refizemos. O Parque não é nada demais, nem a praça onde repousa uma imitação bacoca do Arco do Triunfo mas serviu bem para arejar e conhecer melhor a cidade.
Tomando como destino a avenida de St. Perré lá chegamos ao hotel. Depois de um descanso no hotel, fomos jantar. Escolhemos o restaurante ex-libris da cidade, situado no chiquerrimo Passeig de la Gracia: o “Tapa-Tapa”. Pagamos um balúrdio por um mini-paella – prato típico espanhol que não passava de arroz de marisco com caril, lulas e pimentos -, bipartida acompanhada com um vinho bastante provocador (esquecemo-nos do gazpacho!). Conclusão: saímos de lá um pouco fora de nós.
De seguida, fomos descobrir a noite. Como não tínhamos planeado muito bem essa parte ficamo-nos por um barzinho do mesmo género que o Pride: o Arena.
O bar tinha um funcionamento esquisito. Em primeiro lugar, a porta de entrada chamava-se “Arena Dandy” e ao lado tinha uma outra porta de entrada chamada “Arena VIP” mas só lá entrava quem tivesse uma pulseira. O bar era o mesmo.
O pagamento também era esquisito q.b. Tínhamos que pagar 6€ e, lá dentro, tínhamos que pagar a bebida à parte e só depois – de termos senha -, pedi-la no bar. Escusado será dizer que Barcelona é caríssima. Um martini bianco custa 8€.
O ambiente no bar era medonho e só passavam músicas pop alternadas com espanholadas inaudíveis. Em suma, não correu mal, mas poderia ter corrido melhor.
No segundo dia, o plano era visitar a Pedrera e a Sagrada Família. O metro de Barcelona é, tal como o de Lisboa, um pouco underground e sujo mas, ao contrario do metro do Porto, não permite “viagens à pala” já que a entrada no interior da estação exige a viabilidade do bilhete – que é passado numas maquinetas específicas -; ao fim de quantas viagens torna-se intuitivo.
Começamos o dia com um pequeno-almoço num Starbucks. Aliás, em todo o lado há um. Depois de uns zigue-zagues pela Breskha e H&M e umas fotos na casa Amatler e Battlo, lá chegamos à Pedrera. O sítio é, além de caro, muito giro, particularmente o topo do edifício onde se desfruta de uma magnífica visão panorâmica da cidade.
De tarde exploramos a Sagrada Família o que foi uma franca desilusão e tive a sensação de pagar para nada visto que a subida ao topo mexeu drasticamente com o meu medo das alturas. Só para se ter uma noção, a descida tem escadas em espiral sem corrimões e parece que nunca mais acabam. Enfim, ficamos 3 horas e tal sem qualquer diversão. Excepção feita a uns engates na zona do museu.
Depois do “almoço-lanche” no Burger King, optou-se pelo sítio mais distante: o Parc Guell. O bilhete de metro também dava para autocarro e isso facilitou o percurso. Um pouco perdidos, contamos com a ajuda de um rapariga espanhola que nos elucidou. De facto, os espanhóis são bastante simpáticos, dedicados e prestáveis. Seja a rapariga que nos orientou para o Parc Guell, seja o barman do Zeltas, seja uma mulher que se voluntariou para nos tirar fotos no Palácio da Musica Catalã e uma outra no Parque Guell, seja os funcionários do hotel.
Chegados ao Parc Guell – que mais parecia o Palácio de Cristal -, a única preocupação era tirarmos fotos no lagarto. E assim foi. Pouco mais havia a fazer.
À vinda para cá, já esgotados, ainda passamos pela Torre Agbar que, sinceramente, apesar de magnífica por si mesma, está localizada num sítio um pouco suspeito.
Depois de um descanso merecido, íamos então desbravar a noite. Começamos com uma cerveja na praceta do hotel e acabamos por descobrir a noite gay da cidade. Esta localiza-se numa única rua, perto do hotel, repleta de barzinhos gays para todos os gostos (bears, twinks, musculados), excepto para o nosso (chic) e, claramente, repleta de travestis e prostitutos.
Depois de se perguntar a um espanhol sobre o melhor sitio gay nocturno – que pensamos ser gay -, este indica-nos um “com a luz amarela”. Decidimo-lo seguir (descobrimos que o bar “com a luz amarela” era o LIDL). Entramos então no “Zeltas”, onde ele também entrou. Não havia consumo e o bar estava vazio. Das poucas pessoas que lá estavam, muitas delas eram giras e com corpos bem trabalhados. Havia um afluente de pessoas para uma zona localizada no fim do bar, com cortinas escuras e perguntei ao – belíssimo! – barman, que não se coibia de exibir o seu traseiro empinado, se aquilo não seria um 2º piso, ao qual este respondeu que era a W.C. Pois…
Reflectindo sobre se aquele bar seria um bar de gigolôs ou um warm up para a noite, decidimos descobrir o melhor bar gay da cidade de BCN, nas palavras de um amigo do Vasco e das próprias opiniões dos gays espanhóis: o D’Boy. No caminho para lá (um “lá” que não sabíamos muito onde), metemos conversa com um casal australiano e lá chegamos. Ficava próximo da Praça da Catalunha.
O consumo no bar era de (escandalizem-se!) 18€ com direito APENAS a uma bebida! E diga-se de passagem, o dinheiro não compensava. Apesar de o bar estar dividido em duas pistas, uma mais vazia onde passava musicas pop e espanholadas – a minha preferida -, e outra infestada de gigolôs – que mostravam a pila em público! - e gajos musculados, o dinheiro definitivamente não compensava. Depois de muita dança (e pouco engate!), chegamos ao hotel e cama.
No terceiro e último dia, os sinais de cansaço já se faziam notar. Nesse dia, optamos por descobrir a praça de Espanha e um shopping que mais parecia um estádio de tourada. A fonte mágica de Montjuice, em frente ao Palácio da Musica Catalã, estava desligada e então rumamos para o Castelo de Montjuice passando pela Fundação Joan Miró.
O Castelo é giro. Almoçamos (outra vez!) paella, só que desta vez muito mais abundante, apesar de descobrirmos que esta já devia ter uns dias (!).
Depois do Castelo e de descermos de teleférico, fomos descobrir pequenos edifícios no centro da cidade como a Catedral de Barcelona, o Bairro Gótico ou o Palácio da Musica Catalã, situados em zonas muito suspeitas. Subimos as Ramblas, fomos para o hotel buscar as malas e rumamos para o Aeroporto, com a certeza de que Barcelona… é um escândalo.
E a homofobia? Não é doença?

Claro. A homossexualidade é uma doença como o sexo oral, a masturbação, a espanholada ou o coito interrompido. «Anti-natural» como as máquinas de tirar cafés, as t-shirts da ZARA, a pílula ou o próprio facebook.