
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Vejo um futuro brilhante e paz entre os povos

Até 2000 viverás, de 2000 não passarás (e entretanto passaram-se 10 anos)

Estes tipos de argumentos são muito utilizados, por exemplo, na questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, onde se mistura homossexualidade com incesto, pedofilia ou poligamia, mas não só. São utilizados para denegrir, por exemplo, o sistema de ensino português (“hoje os jovens não aprendem nada, no meu tempo é que era”) ou para, estimular uma atitude reaccionária, por exemplo, contra a droga ou contra a criminalidade, elaborando um esquema que permita às pessoas se insurgirem contra algo (que não sabem muito bem), accionando um “instinto” preventivo (“hoje é só drogas e ladrões”). No caso do exemplo do consumo de droga/criminalidade, as estatísticas são utilizadas como instrumento para acção do espírito conservador/reaccionário e, normalmente, aparecem descontextualizadas (por exemplo, no caso do ensino, as taxas de sucesso escolar durante o período salazarista eram mais elevadas, sim, era um facto, mas porquê? Porque só uma elite, que tinha poder económico/simbólico, é que poderia aceder à escola, uma escola, per si, elitista e altamente distributiva).
O termo “apocalipse” deriva, genericamente, do vocabulário da própria religião e na religião, este refere-se ao destino inevitável da Humanidade que virá um dia (quando? Esteve para vir em muitos momentos da História e nas história...).
Associado à elaboração de um inimigo comum, normalmente minoritário e contra-normativo, existe aquilo que eu chamo de “apagão”. Isto é, a purificação higienista e/ou eugenista, precisa de eliminar o desvio para que a norma se assuma como regra/lei geral inviolável. Muitas pessoas, durante o período salazarista, foram mandadas para MITRAS, exactamente para se manterem escondidas da sociedade e não a ameaçarem. Ao permaneceram inacessíveis, longe dos olhares, colaboram para a visibilidade total(itária) que a norma necessita para se manter intacta. Acham que existiam violadores enquanto Salazar governava? Claro que existiam. Mas Salazar fazia tudo para os ocultar e dai dar a sensação que “isto devia ser tudo como no tempo de Salazar!”. A forma mais drástica de “apagão” são as afirmações sobre a inexistência do Holocausto, ou mais recentemente, com os problemas ecológicos (aquecimento global, derretimento de glaciares, consumo de combustíveis), por exemplo.
Penso (e esta é a minha opinião pessoal, assumida, tal como o autor) que convêm que tenhamos sempre um espírito crítico, reflexivo e desconstrutor. Modernista diriam alguns/as. Sim, modernista. Mas do que isso, pós-modernista. Saber que não existe uma explicação unicausal para uma determinada realidade. Saber que os conceitos não são fixos mas sim, mutáveis assim como as realidades que os suportam. Saber que o próprio saber não pode estar amarrado a ideologias nem a pressões, por mais utópico que possa soar. Saber que a norma é uma contingência e ironia das ironias, nela, como diria Foucault, «é que está a nossa emancipação».
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Poste desaconselhável a pessoas religiosas
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Muro das Lamentações antes de chegar 2010

domingo, 27 de dezembro de 2009
Farmville - my new addiction

sábado, 26 de dezembro de 2009
Cassetonas - Sui generis

Põe-se a cantar de Galo, zimba, que já papaste!
Não vale a pena iniciarmos um discurso politicamente correcto sobre a tolerância religiosa (já que temos que tratar diferente o que é diferente) ou tecermos comentários bajuladores a pacifismos utópicos (alguém que pertenceu à Juventude Hitleriana não merece muito mais) mas o tal acto só prova que a ICAR anda a pisar um risco muito perigoso. Óbvio que tais ataques só potencializam a vitimização e tal é conveniente aos senhores católicos, contudo, tal proeza exige alguns sacríficios e não sei se a ICAR está disposta a corre-los. E o Papa lá continou a dar a missa, pedindo tolerância.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Define familía Margaret Tatcher!
Alguém pára esta vaca moralista?!
Até nos podíamos interrogar sobre o conceito de "família" a que MFL se refere; mais adiante no discurso, ela menciona a importância de defender "os jovens que querem casar e ter filhos" e a gente percebe que a sua definição de família é muito restrita.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Um dezembro (como todos os outros)

Atenção: este texto é deprimente que se farta. Foi escrito mesmo no dia de Natal de 2006 enquanto esperava pelo bacalhau.
O que a fome é capaz de provocar...
Um Dezembro Como Todos Os Outros
Escuro, exausto, e friamente acolhedor. Assim é Dezembro. Com o seu sabor a canela e candura despede-se de mansinho, enroscado nas grandes dávidas, no mito, nas luzes incandescentes da ternura forçada e nas longas promessas de paz e esperança. Despede-se com a nostalgia dourada das ruas abarrotadas, do deserto que nos povoa sempre tão só, sempre tão cheio, a magia constante duma tradiçao que não cessa. Chegou sem avisar e despede-se demoradamente. Pré-anuncia com ritual urgente a morte de um ano a cair e a erupção de um que ainda não veio, falso tímido na recepção. Trouxe o que o próximo trará. As ángustias de gaveta, as paisagens do conformismo declarado, as marés da abegnação e os sonhos parados nas margens dos rios, a solidão na multidão sempre a sorrir confundindo quem passa de olhos bem abertos e de alma fechada a sete chaves. As barreiras pontuais de uma vida. Com ele, também vieram a fartura do abraço, a poesia do amor livre, rostos de luz e aceitação, os beijos roubados na claridade dos dias de sol, a imensa seara doce que o vento não pega, não força, não arrasta. Despede-se sem lágrima fácil e desejos proferidos baixinho na memória.
Naquele Dezembro de frio austero, Natcho abria subtilmente a caixinha dos seus desejos. Inatamente impaciente, decidira desviar o medo intocável e a incerteza para as grutas cavernosas do inconsciente. Decidira simplesmente não ter medo. Fizera o que toda a gente faz: planos; planos para o ano que se aproxima, veloz e cru, repleto das suas areias movediças e dos seus sorrisos armadilhados que não sejam só sombra na planície. Natcho quisera ser mais e melhor. Não é isso que todos nós, meros humanos, queremos? Ser mais... Ser melhor... Se fosse assim tão, fácil toda a gente já teria alcançado esse estado de graça sublime, vagueando como quem desfila numa carpete encarnada, cor de sangue quente, exibindo orgulhosamente a perfeiçao alquímica, utópica, miragem nos horizontes fúteis que atravessamos devastados; mas não é fácil, e Natcho sabe.
Nessa noite não aconteceu nada de especial. Nem as estrelas estavam mais brilhantes nem a noite mais exaltada nem havia mais pão e vinho pelas mesas. Natcho tambem não descobriu as fórmulas perfeitas da felicidade, tão requisitadas entre quem respira. Natcho apenas teve a consciência que tava a crescer, já não pertencia a Terra Do Nunca. Mas a magia estava lá, não nos presentes que desembrulhara quando era um petiz de meio palmo mas nos corações de quem ama, na inocência dos rituais que (re)inventamos para encontrar as paixões das filosofias que nos movem. Temia apenas que "nothing changes on new day's year". Temia a perda dos ritos e na fé que perpetuamos nas crianças que tanto nos fazem lembrar nós, com os olhos besuntados de saber e imaterialismo. Naquele Dezembro encostado a um canto, Natcho segredava baixinho os desejos que nunca ousou formular como uma eterna criança que acordou virada para a vida =P
Natchum Pipoquium
Espectro Patronum
Playlist Natalícia
Aqui ficam algumas músiquinhas de Natal. Para cortar os pulsos? Para confraternizar com a famelga (ou, pelo menos, tentar)? Para o ajudar a superar a ansiedade enquanto aguarda pelo Pai (ou Mãe – As feministas deveriam fazer alguma coisa!) Natal? Deixo ao seu critério…
Como os Natais são todos diferentes (e ainda bem), em baixo de cada música, um pequeno comentáriozinho para se perceber como o mundo muda…
Chris Rea – Driving Home For Christimas
Quando as músicas de Natal e ainda mereciam algum respeito.
Mariah Carey - All I want for Christimas
Quando Mariah Carey ainda sabia cantar e não andava a bugiar por aí em cadillacs com rappers que a única coisa que sabem fazer é insultar gays.
Wham – Last Christimas
Quando George Michael ainda era um respeitoso menino adorável de sorriso incandescente e fazia as delícias de milhares de fãs (femininas, entenda-se), o único pó que conhecia era o pó do bolo-rei e pedia “com licença” antes de entrar numa WC.
John Lennon – Xmas
Quando o mundo só tinha a Guerra Fria para se preocupar. De repente, apareceram os Dz’Art e os Beatles não eram mais que uma cambada de putos com acne a cantar coisas como “all you need is love”. Obrigado pela informação!
Paul McCartney – Wonderful Christimas Time
O único Dz’Art vivo (ou morto, depende das crenças!).
Band Aid – Do they know it’s Christimas
A Band Aid são os U2, antes de caírem no velho erro de serem aquelas bandas insuportáveis que fazem épicos pseudo-rock de nível médio e que obrigam as pessoas a usarem aqueles fones de pêlo pomposos para não ter que ouvir uma banda que não se conforma com a reforma nem com o facto de o mundo não ter emenda.
Nota: engraçado como é que um pequeno comentário sobre uma banda super conhecida como os Band Aid (?) evolui para uma tese de mestrado destrutiva sobre os U2.
Pointer Sisters – Santa Claus is coming to town
A música de Natal mais parecida com um Show de Drag.
Enya – Oiche Chiún (Silent Night)
Quando o mundo ainda não tinha que vomitar Senhor dos Anéis por todo o lado… Um clássico!
Ronettes – Sleight Ride
O hino das renas e, quiçá, dos veados!
Ai filhoses...

• 1 kg de farinha
• 8 a 10 ovos
• 2 colheres de chá de fermento
• 1 copa de aguardente (pequeno)
• 1/2 chávena de leite
• 1 pitada de sal
• Azeite
Preparação:
Coloque a farinha num alguidar e o fermento no meio da farinha com a pitada de sal. Comece a amassar com as mãos, em seguida deite a aguardente e o leite. Continuando a amassar, deitam-se os ovos, um a um, lentamente. Quando estiver tudo envolvido, trabalhe bem a massa molhando as mãos em azeite até a massa se despegar do alguidar. Continue a amassar durante dois minutos. Deixe levedar durante duas horas.
Faça pequenas bolas de massa e por fim ponha a fritar. No fim polvilhe as filhoses com açúcar e canela.
Carta ao Pai Natal
Chegou a altura. Você já não sabe o que há-de comprar, tal é o aparato nos shoppings por esses pais fora. Ele é Norteshoppings, ele é Maiashoppings, ele é quiçá Carrazeda de Ansiãeshopping, Aroucashopping, etc. Crise? Pois…
Aqui fica uma listinha de sugestões para presentes de Natal. Acto falhado puro, admito. Apesar de o meu apelido ser Ramos, o meu nome próprio não é Cláudio e, portanto, não sou nenhum profissional da área. Apenas um mero consumidor de vista:
1 – O documentário This It sobre o Michael Jackson
O ano de 2009 ficou irremediavelmente marcado pela morte do Rei da Pop, Miguel Jacques. This it pode muito ser uma recordação, do Rei e de 2009 (são indissociáveis?). O problema é que no meio de tanto documentário como escolher o melhor? Olhe, siga a sua intuição! Ou o meu conselho. E olhe, é isto!
2 – Carrera
Oferecer uns óculos a alguém em pleno Inverno é a mesma coisa que oferecer nozes a alguém com placa dentífrica. Não são de grande utilidade. Mas uns Carrera ficam sempre bem! Nunca se sabe quando o sol pode raiar e nos apetecer cantar Madalena Iglésias.
3 – 'Heaven to Hell' - La Chapelle

La Chapelle é considerado um dos melhores fotógrafos do Mundo e é um dos meus favoritos. Gay, ex-hustler, ex-amante de Warhol, começou cedo nestas aventuras da fotografia. Conta a história que um dia chegou vestido de cowboy cor-de-rosa à faculdade (boa ideia). Não sei se foi rosa choque mas que chocou, chocou. As suas fotografias retratam o lado obscuro da fama, chegando a colocar as estrelas em poses ou lascivamente sexuais ou ironicamente plastificadas. Sim, o sarcasmo é a sua marca registada. Um presente para ler… e ver.
4 – Portátil

Comprei um Toshiba l500 13w e já estou arrependido. É o que eu digo, o preço é uma Bullshit. O processador é uma merda, a bateria parece que já veio viciada (ou a autonomia é que não é muito boa), 230gb (no panfleto dizia 320). Fuck, dá para remediar. Conclusão: um portátil é sempre uma boa prenda mas informe-se e escolha bem.
5 – Celebration – Madonna

Michael Jackson foi-se e a Rainha ficou viúva. Em 2009, após 2 meses apenas da morte do Rei, Madonna lançou o seu terceiro Greatest Hits, no espaço de 8 anos, em relação ao último. Desde a década de 80 que Madonna não teve todo o esmero que conquistou. Esta década 00 – 10 (ou melhor, 01-09) só o seu 11º álbum, Confessions On The Dancefloor, é que a catapultou para os holofotes mundiais, assegurando-a como Queen Of Disco do milénio. Music (2001), apesar de aclamado pela crítica, foi uma fase de transição. American Life (2003) foi um erro de percurso e Hard Candy (2008) os devaneios de um estrela na meia-idade, confusa e sedenta de poder. Celebration veio salvar Madonna de um naufrágio certo e contém (quase) todas aquelas canções (peca por algumas ficarem esquecidas) que fizeram história no imaginário colectivo mundial. O nome não podia ser melhor escolhido, contudo, Madonna ainda está em divida para connosco. Para ouvir enquanto desembrulha os restantes presentes.
6 – Armani Code

Masculino, intenso e hipnotizante. São apenas alguns adjectivos para descrever o meu perfume preferido. O meu frasco já acabou… Se alguém me quiser oferecer mais!
7 – Aussiebaum

O verão ainda está longe mas nunca é tarde para se começar a planear. Esta tanguinhas fizeram furor nos gays norte-americanos (e brasileiros) há um ano atrás e os gays portugueses também merecem. Para as meninas uma lingerie é sempre uma opção. Este presente é só para rapazes lisinhos, os rapazes com pêlo na benta ainda vão ter que esperar (ou depilar!).
8 – História da Sexualidade de Foucault

Tudo o que poderia dizer sobre este livro já o disse milhentas vezes aqui no blogue. Fica a sugestão.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Referendar o Referendo

É uma invasão da privacidade visto que estamos a dar a uma maioria de pessoas o poder para decidir o que uma minoria de pessoas pode ou não aceder e, por isso, pode ou não pode fazer. Pergunto-me se essa maioria gostaria de ver a sua privacidade devassada. Se gostaria de que lhe dissessem indicações sobre o que fazer na sua sexualidade.
É um atentado democrático pois é um desrespeito pelo programa de um partido (o PS), que mesmo não tendo maioria absoluta, foi escolhido para governar o país pela maioria das pessoas que foi votar e, eventualmente, é um desrespeito pelo programa de outros como o BE e o PCP que têm uma opinião favorável, de forma geral. É óbvio que quando votamos, fazemo-lo de uma forma a calcular os pós e os contras (falo por mim). Contudo, imaginemos que tínhamos que fazer um referendo sobre cada proposta de um partido político. A um nível mais específico, pergunto-me se teríamos que referendar um programa escolar, uma receita de frango estufado na cantina de uma empresa ou a cor de verniz de uma deputada (quiçá, de um deputado…) qualquer por ser demasiado ofensivo?!
É um atentado democrático pois é o usufruto de preconceitos e estereótipos sobre determinado grupo de pessoas (cidadãos e cidadãs) que, durante séculos, foram tratadas como aberrações subhumanas. É atirar uma questão, essa sim de igualdade democrática, para um antro de carniceiros que nada tem a perder mas que se acham no direito de legislar sobre modelos da sexualidade que já não se coadunam (alguma vez foram os únicos?), na sua forma exclusiva, com a realidade social. Teremos que preservar os modelos tradicionais de uma sociedade como, por exemplo, as touradas ou referendarmo-las?
É um atentado democrático e um atestado de estupidez. É colocar nas mãos de uma população (neste caso, a portuguesa) a decidir sobre um assunto que não domina. Imaginem por um médico a decidir sobre permanentes ou um pescador a decidir sobre química. Ridículo! É usar a homofobia social (aquela homofobia que todos/as nós temos um pouquinho) para negar direitos a todos/as. Embora até fosse giro descobrir que afinal o resultado do referendo seria diferente…
É um atentado democrático na medida em que se vai responder a uma questão que não põe (nunca pôs e, muito provavelmente, não porá) em causa a liberdade de ninguém. É despotismo puro de uma certa elite direitista e, a acontecer o referendo, de uma maioria sobre uma minoria. Despotismo é compatível com a democracia que tanto apregoa os “referendistas”?!
É um atentado democrático pois se decidíssemos sobre o voto das mulheres ou o fim da escravatura ainda hoje elas não poderiam votar e existia um/a escravo/a em cada casa portuguesa de alta socialité. Achamos admissível? É um atentado à dignidade humana!
Poderá alguém fazer uso da democracia para dar cabo da democracia?! Referendar o casamento entre PMS é dar cabo da democracia. Que ninguém esqueça o exemplo do referendo suíço sobre os minaretes árabes.
Afinal não havia tantos problemas para resolver? Para que fazer um referendo? Contradições…
Se é viável haver um referendo ao casamento entre PMS, pergunto-me: é viável haver um referendo ao referendo? E, em caso positivo, é possível haver um referendo ao referendo do referendo? E por aí fora…
Casamento para tod@s é democracia, casamento para alguns é fascismo! Ora, fascismo NUNCA MAIS!
Ou querem referendar se o Estado português deverá ser fascista novamente?!
Antes casório de segunda do que nada para ninguém

A acusação agora tem que ver com o modelo de casamento que o PS propõe pois esse modelo hierarquizaria o casamento heterossexual com o direito de adopção e o casamento homossexual sem o direito de adopção. Ou seja, essa gente quer impedir o casamento entre PMS mexendo e remexendo no fantasma da adopção (e, portanto, com o “interesse supremo da criança”).
Alguma vez perguntaram a uma criança homossexual se queria ser criada por pais heterossexuais?
Antes casamento para tod@s, do que casamento para alguns. E sim, a questão da adopção é o próximo passo, que ninguém duvide disso!
Nota: sabia mesmo bem a legalização do casamento entre PMS agora no Natal, época fortemente religiosa e de tónica familiar.
Paixão de Cristo (e que Cristo!)
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Trabalhos, trabalhos, exames e mais trabalhos
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Find Wally
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
A caixinha mágica deveria trazer autoclismo

É que nem sequer se deu ao trabalho de mostrar uma opinião favorável ao casamento, só focou o lado do “não”. Merecia uma cartinha de reclamação, não merecia?
Novas Oportunidades (para estar caladinho)

Bem, não sei se o grau de facilidade é assim tão pequeno. Os/as formandos/as terão que passar por um conjunto de provas de forma a perceber-se se realmente estão aptos/as para progredir na formação e que, por sinal, não são assim tão lineares como se quer parecer. Além disso, nem tudo o que se dá na escola é válido e/ou útil ou constitui-se uma aprendizagem, no sentido exacto do termo. Aprendemos equações mas se quiser fazer um crédito não vou ter que saber se 2x = y então 2y = 4x (outro exagero) e existem múltiplas coisas que dei mas nem sequer me lembro…
Convêm também referir que uma coisa é qualificar e outra certificar. Sabemos que a qualificação fica aquém das situações profissionais mas produz uma comichãozinha no ego e não há nada como um pequeno bombom dado por nós a nós mesmos/as.
Flagrante estupidez

“Ora bem Maria, vou-te dar um tiro, chega só mais um pouquinho para fora da janela porque alguém pode ver e acusar-me…”
Escravizados às falácias

Scream = Life

No entanto, não é propaganda que quero fazer. Ou melhor, é! Propaganda às peças de roupa lindíssimas que a Zara lançou sobre o Keith Haring. Já comprei a camisola e agora quero comprar a t-shirt.
Para quem não sabe, Keith Haring foi um artista nova-iorquino, gay e foi vítima de sida. Os seus desenhos sui generis (figuras uniformes sem expressões faciais) correram mundo e elevaram a pop art a um estatuto mítico, numa altura em que esta se fundia com o neo-expressionismo.
Desabafo ao cacetete

P.S. Eu não sei se deveria exibir este poste, porque cada vez mais há muita gente intolerante à liberdade de expressão dos outros.
Porque é que os moralistas passaram a ser o meu fetiche preferido:
Vocês conseguem criticar desqualificando os gays (“aberração”; “anormais” etc) sendo homens de trinta e tais anos, que andam na faculdade (situação, per si, anormal) e que se divorciam (situação amoral) para andar com uma pita de 19, 20 (modelo de sexualidade aberrante) e mesmo assim manter uma linha de racionalidade, coesa e com sentido?!
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Sessão LGBT
3º Lugar – Summer Storm
O Summerstorm fala da história de dois amigos adolescentes alemães. Um deles, Tobi, (Robert Stadlober) vai descobrindo a sua homossexualidade e acaba por se apaixonar pelo seu melhor amigo, Achim, (Kostja Ullmann e sim, parece nome de espirro) que é hetero e tem namorada (a tensão sexual entre os dois logo no início do filme é arrasadoramente erótica, há inclusive uma cena de masturbação conjunta). A personagem principal também tem uma namorada, a Anke, que esta completamente apaixonada por ele mas, como era de prever, não é mútuo (quantas histórias não conhecemos assim?). Todos eles/as pertencem a uma equipa de canoagem e no dia da competição final vão ter que se defrontar com uma equipa de… gays, que por acaso, também possuem as suas desavenças (pois nada é um mar de… rosas!). O personagem principal fica então dividido, ao ponto de inventar mentiras atrás de mentiras e provocar desavenças em ambas as equipas.
A ironia metafórica das mentiras constantes em ambas as equipas e a própria designação de equipas para categorizar a identidade grupal do rapaz que se está a descobrir e precisa de uma equipa que lhe corresponda – heteros ou gays? - é genial! Claro, não podia faltar um homofóbico para tornar as coisas mais divertidas… Descoberta da homossexualidade, identidade, lugar de pertença e coming out são as grandes temáticas de um filme terno, bem conseguido e milimetricamente produzido. Moral da história: uma equipa, hetero/gay, só unida é que consegue vencer todos os obstáculos.
2º Lugar – Shelter

Salvo erro este filme ganhou alguns prémios… Não sei, sei que o Trevor Wright é um grande talento (e que talento! Vai merecer um poste especial mais tarde…)! O gajo é poderoso (infelizmente é hetero na vida real). Mas o filme não é só o Trevor: a história fala-nos do Zach (Trevor Wright), um rapaz de classe baixa, surfista e bonzão que, devido à irresponsabilidade da irmã, Jeanne (Tina Holmes), tem que cuidar do seu sobrinho, Cody (Jackson Wurth), um miúdo que vê no próprio tio o seu verdadeiro pai. Confuso, começa a descobrir a sua homossexualidade (onde é que já vi isto?) e apaixona-se por um amigo, Shaun (Brad Rowe), que de repente, regressa ao guetto para se restabelecer psicologicamente da sua última paixão não concretizada. Contudo a irmã não vê com bons olhos esta relação e decide afastar o seu filho do tio. O filme toca na ferida suave da questão da adopção por pessoas/casais homossexuais.
De referir, foca os gays afastados dos estereótipos e como rapazes “emancipadamente” masculinos (as vezes, até em exagero…). A história entre os dois, apesar de muito hierarquizada (homem mais velho/homem mais novo; homem rico/rapaz pobre), é uma história de amor afectuosa e que só nos enche de expectativas inconcretizáveis sobre o “príncipe encantado”. Nem nós gays estamos a salvo…
And the winner goes to…
…Save me! Não, é mesmo o nome do filme! Um dos protagonistas é o fofinho Ben (Robert Grant) do “Queer as Folk”. A história baseia-se num rapaz gay problemático, Mark, (Chad Allen), viciado em drogas, que é “internado” numa clínica cristã de reabilitação de drogas e de… homossexualidade (nota: o filme é norte-americano). A dona do centro, Gayle (GAYle, interpretada por Judith Light: bonito nome para uma “reconversora” de gays e que mais parece a Manuela Ferreira Leite, física e ideologicamente) é uma católica devota que vê nesse rapaz o filho gay que nunca conseguiu salvar e faz de tudo para o resguardar das chamas do Inferno (“E livrai-nos da tentação, ai MEN!”). O pior é que o moçoilo conhece um outro rapaz, o Scott (Robert Grant), que se apaixona por ele e, pelos vistos, é recíproco. Escusado será dizer que vai dar o fanico à invejosa dona do centro…
No final, vencerá o amor a Cristo ou o amor com “A” grande? (Não, não é o “A” de anal suas mentes porcas!). Um filme realista, poderoso e com grandes momentos apoteóticos, e que, mais uma vez, nos envolve, como diria o Eça de Queiróz, no “manto diáfano” do amor.
Hercules & Love Affair na Casa da Música (A love that last for good)

Poucas foram as vezes que tínhamos (eu e o Rafa) ido à Casa da Música. Deduzi erradamente que só os jets é que estariam destinados a circular por lá. Talvez pela cultura musical que propunha - óperas, jazz, etc – mais ligada às classes mais altas. Apanhado pelo meu próprio preconceito…
A nível estético, o edifício é como a coca-cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se. E entranha-se bem pois o edifício é lindo. Estruturas minimalistas misturadas com pinturas barrocas, bancos futuristas de mão dada com escadas surrealistas fizeram as minhas delícias. Ideal para sessões fotográficas.
Da mesma forma, nunca tinha ido ao Clubbing Optimus…
Chegamos, eram 22h, sempre com o receio do atraso iminente. O alisamento da juba, os nossos momentos a saborear duas grandessíssimas taças de champanhe rascofe e as típicas filas (bichas?) de trânsito parece que se uniram para não nos deixarem chegar as horas. Vencemos! Para pena nossa não entramos pela porta principal (oooh). Primeira noção: pessoas de diferentes classes (mais classe média e média-alta), lado a lado, mais gays por metro quadrado do que o Pride à sexta-feira à noite, sem consumo. Punks, góticos, snobs, vanguardistas, novos-ricos, homens, mulheres, (muito) jovens, adultos (que tarefa ingrata de dizer “idosos”), etc. Em suma, a pós-modernidade em acção.
Entramos na sala 2. Uma sala vermelho-escura, apenas iluminada por um letreiro pseudo-neon azul metálico e por rapagões de dois metros e músculos a condizer. Não sei se o erro foi dos nossos relógios, da programação ou se a Boavista têm um fuso horário diferente do resto do país mas os H&LA, que era suposto subirem ao palco às 23h, apenas o fizeram à meia-noite. Atraso para inglês ver? Provável.
Antes disso, assistimos a um set de um DJ, já nem sei o nome, que nos deixou, como diria a Gaynor, “petrificados”. É o que dá os (quase) 15€ que pagamos. Não fazíamos ideia que tal preço permitia-nos assistir a tod@s artistas que iriam actuar na CM. O DJ era bom. Um warm-up gostoso antes do apogeu.
A sala começou a encher a olhos vistos. Procuramos um lugarzinho no centro-esquerda (coincidência ou não com as minhas ideologias políticas). Tic toc, tic toc. De repente, um Andy Butler entra na sala a correr e ordena aos seus pupilos e aprendizes de pupilos (eu inclusive): Dance! Dance! Dance! Como se estivesse a mandar o pessoal evacuar o edifício de umas chamas rosa retro. Neste caso, mandou-nos ficar. E nós não poderíamos ficar quietinhos com tamanho ímpeto. Dançamos e ardemos!
Nem sinais da belíssima Nomi nem do soturno Anthony. Chuac, chuac. Na sua vez vieram um cantor (ou cantora, não percebi bem…) negro, com umas rastas esquisitas, trajado a rigor com um vestido de luz arabesco. Não sei o nome mas sei que veio directamente de NY o que, sejamos sinceros, é mais “memorizável” do que o próprio apelido (Shaun, i guess…). Do outro lado do palco (mais do nosso lado), uma cantora negra, cabelo afro, inserida milimetricamente num vestido azul às bolinhas brancas translúcidas. Era a mistura exacta de um travesti com a vocalista dos Ebony Bones. Falava um português fluido. Daniella Negro (acho que) era o nome dela. A comandar as hostes a vocalista, Kim-Ann Foxman. Com uma caviada preta lindíssima rasgada nos ombros, um boné de pele como aqueles que os gunas usam e calças largonas. Completamente dyke. Era giro ver a pequeníssima Kim, com o seu ar de macho-papi, a interagir com as suas ladies traveconas negras. Não se enganem, a sua altura não era proporcional ao seu vozeirão. Fiquei abissalmente surpreendido.
A sala encheu definitivamente, as magnificas backdrops de artefactos greco-romanos e espectros disco incitavam ao fulgor da dança e as batidas electro-house faziam-nos cair num vórtice 80’s. O álcool era o comparsa ideal: o Rafa bebeu uma vodka preta com sumo de limão – wham –. Em mim, os efeitos da cerveja oferecida pelo C. Optimus começavam a fazer-se notar.
Tudo começou com uma “true false fake real” revestida de sintetizadores bombados, seguiram-se algumas músicas que pensamos virem a constar do seu próximo álbum em 2010. A “Classique #2” magnetizou o Rafa (e o pessoal) mas o público acordou mesmo com a irresistível “Raise me up” sem o Anthony mas com duas marionetes negras e vivaças que interpretaram muito bem o seu papel. Eram as butchers do disco. A determinado momento, quando uma delas (a afro Daniella, protótipo perfeito de Macy Gray) decidiu pedir ao público palmas no ar e este parecia estar numa hipnose house, eu cumpri a ordem e ela sorriu-me! Passei a ama-la. De seguida, “Wonder Woman” fazia efervescer o fulgor house da multidão extasiada com um refrão cantado em sussurro por Kim.
O delírio total foi o mega-hit “Blind” e aí o público ficou cego. Da luz, do profissionalismo, do show, de tudo. Senti que aquele era um grande concerto. A “you belong” tardou mas apareceu no final: yuppie! Mãos no ar imploravam um encore e os pedidos foram satisfeitos: uma excêntrica “I can’t wait” (pelo próximo álbum?) foi um bombom de despedida e lá a Daniella (penso ser este o nome dele/a) declarou: “vocês são fantásticos! Vamos voltar!”. Graxa? Não apenas um grande concerto…
Ainda tivemos tempo para assistir aos devaneios de um rapper electro-punk da favela armado em “one-man-show”, dizendo atrocidades e abanando o seu bumbum peludo. Ideal para a ressaca. Para mais informações ver a crítica da Blitz aqui.
Nota: continuo à espera das fotos do concerto, o Rafa anda a dormir…
Concerto? Nota: 5
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Caso para fazer uma minarete

Pois é, a notícia anda a fazer furor pela Europa. Pessoalmente acho-a assustadora e um exemplo de intolerância islamofóbica (mesmo com as atitudes de certos países muçulmanos) que, infelizmente, grassa pela Europa fora. Já aqui afirmei e reafirmo: apesar das minhas posições anti-religião, defendo acima de tudo, a liberdade, inclusive a liberdade (de opção) religiosa. Se a construção de novos minaretes não se prende com as despesas do dinheiro do Estado não vejo porque não construir mais se um determinado grupo de uma determinada população assim o desejar…
Esta história dos referendos, capitaneadas por partidos de direita, tão apoiantes da liberdade democrática (cof cof) já cheira mal (veja-se o exemplo de tentar referendar os casamentos entre PMS). Mas gostava de ver como reagia a ICAR se o referendo fosse sobre a abolição das igrejas cristãs em terras árabes… vinagre nos olhos dos outros é doce!
Noitada!
Muita alegria, bebida (e outros alteradores de humor), libido, música e dança. Quero mais mas parece-me que agora só no Reveillon.
A TVI obcecada com os gays – lobby católico a funcionar?
POR FAVOR! Claramente mais uma tentativa de associar os gays à sida. Porque é que não se foca casais heterossexuais? Não são eles os mais afectados, segundo as estatísticas?